Blog do Roberto


RETRATO EM BRANCO E PRETO: O HOMEM DO RIFLE

                         

 

 

Uma seleção.

 

Que convoca Alcindo do Grêmio para uma Copa do Mundo.

 

Deixando pra trás.

 

O Homem do Rifle.

 

Maior goleador do Brasil em 1965/66.

 

Só podia dar vexame.

 

Toda vez que alguém assiste o gol perdido por Alcindo.

 

No jogo com a Hungria em 1966.

 

Fica imaginando o que Bita faria.

 

Com Matrai e Meszoly no Gosford Park...

 

Até Albert respirou aliviado.



Escrito por Roberto Vieira às 07h35
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RETRATO EM BRANCO E PRETO: DETINHO

     

 

 

Maior goleiro de Pernambuco nos últimos 40 anos.

 

Detinho estava só e pobre.

 

Esquecido.

 

Pede pra treinar no Náutico.

 

Mas seu tempo passou.

 

Longe se vai o tempo.

 

Em que se Deth não pegasse.

 

Deus pegava. 



Escrito por Roberto Vieira às 07h29
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RETRATO EM BRANCO E PRETO: SINVAL

            

 

 

Símbolo de raça.

 

Ao lado de Bria formou uma zaga de respeito no Sport.

 

Depois.

 

Sinval jogou no América.

 

A foto é do dia 6 de novembro de 1960.

 

Foto de Diógenes Montenegro. 

 

Clássico dos Clássicos.

 

Sport 2 a 1.



Escrito por Roberto Vieira às 07h24
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NÁUTICO, A HISTÓRIA EM FOTOS: 1957

 

Por CARLOS CELSO CORDEIRO

 

 

        

 

 

Foto do Náutico, nos Aflitos, em 08/09/1957. Náutico 0x0 Santa Cruz. Jogo do primeiro turno do campeonato pernambucano.

 

Os jogadores da foto: Em pé: Caiçara, Caparelli, Cazuza, Lula, Zequinha e Nenzinho. Agachados: Zezinho Limoeiro, Ivson, Benitez, Paulinho e Elias Caixão.

 

O time alvirrubro enverga camisa branca, gola vermelha, detalhe em vermelho na manga e CNC, em letras separadas, no peito.

 

Esta é uma foto histórica. É a última foto de um time do Náutico com o ídolo Ivson.

 

Quando Ivson começou a jogar pelo Náutico, Fernando Carvalheira era o maior goleador alvirrubro. Wilson estava em segundo lugar.

 

Quando encerrou seu ciclo como jogador do Náutico, Ivson era o segundo maior goleador alvirrubro. Fernando Carvalheira permanecia em primeiro lugar. Ivanildo, a esta altura era o terceiro da lista. Wilson passou para o quarto lugar.

 

 

       

 

 

Outra foto do Náutico nos Aflitos. 22/09/1957. Náutico 1x0 Sport. Último jogo do primeiro turno do campeonato pernambucano. Turno ganho pelo Santa Cruz.

 

Os alvirrubros da foto: Em pé: Caiçara, Cazuza, Caparelli, Lula, Zequinha e Nenzinho. Agachados: Zezinho Limoeiro, Benitez, Mozart, Paulinho e Elias Caixão.

 

Já decidido, em favor do Santa Cruz, o primeiro turno do CP – 1957 foi encerrado com este Náutico 1x0 Sport. Gol de Zezinho Limoeiro, aos 19 minutos do 1º tempo.

 

Os dois times formaram assim:

 

Náutico: Cazuza; Caiçara e Lula; Caparelli, Zequinha e Nenzinho; Zezinho Limoeiro, Benitez, Mozart, Paulinho e Elias Caixão.

 

Sport: Manga; Bria e Osmar; Oswaldinho, Mirim e Rubens; Traçaia, Naninho, Gringo, Soca e Eliezer.

 

Benitez foi expulso.



Escrito por Roberto Vieira às 07h14
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O CEARÁ DO MESTRE LUCÍDIO, PARTE 2

        

 

 

POR LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA

 

 

A alegria de encontrar o time do Náutico no hotel em Fortaleza só foi passada para traz pelo prazer da descoberta da cidade visitada pela primeira vez. Tempo curto para tanto sol e tanto mar. Na noite mesmo do domingo, ao chegar à recepção do Iracema Plaza, me dei conta que a delegação do Náutico estava também ali hospedada. Os jogadores eram todos por demais conhecidos. Eu vinha acompanhando com assiduidade os jogos do Náutico, o time embalado três anos seguidos campeão. Mas não conhecia pessoalmente nenhum deles. No amplo terraço em frente ao hotel, os craques alvirrubros curtiam a noite depois do cumprimento da jornada domingueira no Presidente Vergas. O assédio das fãs e a companhia de torcedores fiéis. Ao lado, a badalada Tommy’s, lanchonete da moda em Fortaleza. O point da juventude naqueles idos na praia de Iracema. O Iracema Plaza, com arquitetura inspirada nos hotéis de Miamy, vinha da década anterior e era primeiro e único até então na orla marítima. A praia começava no Plaza e terminava na outra ponta, no Alfredo, a peixada mais procurada pelos turistas. A vistosa sede do clube social Náutico Cearense no meio do caminho, nenhum outro hotel em toda a avenida.

 

No café da manhã, o encontro com o pessoal do Náutico no restaurante. Numa mesa, com o staff da delegação, o condestável Osvaldo Salsa, campeão alvirrubro e líder do time no primeiro título, em 1934, ex-presidente da Federação e por muito tempo respeitadíssimo diretor de futebol do clube. Não o vi mais no hotel nos dias seguintes. Deve ter retornado ao Recife. A delegação alvirrubra estava vindo de dois amistosos internacionais em Paramaribo, em sua terceira e sempre vitoriosas visitas à antiga Guiana Holandesa. Na chefia da delegação, em Fortaleza, a figura simpática de Nelsindo Valença, timbu de boa ceipa da nova geração. Procurei me aproximar do grupo e me apresentei a Ivan Brondi. Ficamos amigos, amizade que até hoje perdura e que muito prezo. Ivan é um gentleman e um homem de bem.

 

Procurei saber do dr. Bráulio Pimentel, com quem havia trabalhado no meu tempo de estudante. Não tinha viajado com a delegação, talvez os afazeres profissionais o tivessem retido no Recife. Ivan me apresentou ao grupo. Bita e Didica, estudantes secundaristas, assim como Ivan, envolvidos e ansiosos com o resultado do vestibular feito em janeiro. Gilson Saraiva, outro estudante do grupo, não tinha acompanhado a delegação. Ficara no Recife cuidando da renovação do contrato e de botar as obrigações universitárias em dia com as provas de segunda época. O futebol dificultando a vida do estudante e vice-versa. Em seu lugar no time, o campeão de 1960 Gílson Costa, também estudante. O treinador Dante Bianchi, recém contratado, assim como Vadinho, ex-Santos e ex-São Paulo, e o artilheiro Nino que não seguira para Paramaribo, estavam para chegar. Eram esperados a cada momento.

 

Não tive de imediato como estreitar a amizade com o grupo. Os jogadores tinham seus compromissos profissionais para dar conta. Avaliação física depois do jogo do domingo, exercícios de recuperação, caminhadas na praia, treinos com bola. Minha programação com a família, por outro lado, caminhava em outra direção. Casa da Cultura, Mercado Central, banho de mar na Barra de Jangada, peixada no Alfredo. E o chope ou a cervejinha gelada ao cair da tarde, compulsória obrigação em tempo de férias não importa a cidade onde esteja.

 

Mas deu para fazer amizade com alguns dos jogadores. E teve o jogo contra o Ceará na quarta-feira à noite, ocasião propícia para uma aproximação maior com alguns deles. Tanto que no dia seguinte ao jogo, na quinta-feira pela manhã, senti-me na obrigação de acompanhar a delegação até ao aeroporto do Pici para o bota-fora. E foi o que fiz no fusquinha, acompanhado da mulher e do filho, seguindo o ônibus que conduzia a delegação para o embarque. A oportunidade para a foto na companhia de Bita, Didica e Ivan, fotografia que ilustra a matéria.

 

E o jogo? Ah, sim, o jogo Náutico 2x0 Ceará. Jogo dramático. Teve de tudo aquele Náutico x Ceará. O que não faltou foi emoção. Jogo que terá uma crônica especial. É o que prometo para o próximo capítulo. Muita coisa para lembrar e para contar.

 



Escrito por Roberto Vieira às 07h06
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QUIZ DA NOITE

        

 

Qual é esta a equipe?

 

Que acabou de sapecar 4 a 0 no Sport?

 

E de quebra empatou com o Treze?

 

Tudo isso em Campina Grande?



Escrito por Roberto Vieira às 00h37
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MESTRE DADO

                                       

 

 

 

 

 

 

 

 

O grande defeito de Luís Eduardo Barros Cavalcanti.

 

É ter nascido em Arcoverde. 

 

Defeito gravíssimo para nossos dirigentes e torcedores.

 

Da terra?

 

Presta não!

 

Dado que foi o mais jovem técnico campeão estadual no Brasil.

 

Pela Ulbra de Rondonia.

 

O raciocínio de nossos dirigentes.

 

Requer pós-graduação maquiavélica.

 

Uma leitura apurada do Príncipe.

 

Mesmo assim muitas vezes parece puro preconceito.

 

Porque Dado é melhor que Lori Sandri.

 

Melhor que Macuglia.

 

Quiçá melhor que Gallo.

 

Pelo simples motivo de ser jovem.

 

De não estar arrebatado em compromissos com o antigo.

 

Com o establishment.

 

Dirigentes - e muito torcedor.

 

Têm paciência com os cabeças de bagre de fora.

 

Porém brindam com vaias os meninos daqui.

 

Rafael Foster não é melhor que Wellington.

 

Igor é pior que Diego Bispo.

 

Dinda é melhor que Itamar.

 

Philip é melhor que Geilson.

 

Como Lessa era melhor que todo mundo junto.

 

Mas nos Aflitos eles não servem pra nada.

 

Apenas para serem humilhados pela diretoria.

 

Para serem vaiados na primeira bola errada pelas arquibancadas.

 

O caso não é muito diferente no Santa Cruz.

 

Raimundo Queiroz* mandou Dado embora (Grato, Daniel!).

 

Prestigiou Lori Sandri.

 

Teve que levar na cabeça pra voltar atrás.  

 

Voltou atrás muito mais pela falta de verba.

 

Que pela aceitação de uma verdade histórica.

 

Enquanto nossa prata da casa for como a prata de Potosí.

 

Erguida para glória da Espanha.

 

Seremos apenas uma colônia pobre e mendiga.

 

Em tempo:

 

Imaginem uma seleção pernambucana:

 

Saulo; Moacir, Diego Bispo, Onildo e Jacques;

Nilson, Dinda, Elvis e Natan;

Lessa e Ciro.

 

Pois é...



Escrito por Roberto Vieira às 19h38
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É UM BRASÃO, MORA?

 

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

Os arquibaldos cariocas tinham certeza da vitória.

Mas o jogo tornou-se uma barra.

Saca essa, bicho!

Um time bocomoco da quarta divisão.

Fazendo bico na Copa do Brasil.

Tirando casquinha do granfa.

Parece papo de biruta.

Não deu outra.

O Santa Cruz jogando o fino da bossa.

O Botafogo entrando no preju.

Vida mansa em futebol só pra tremendão.

Bobeou, armou-se a zorra.

A barra sujou pra Estrela Solitária.

Nem a trela que o Elvis deu ao perder o pênalti.

Elvis que foi chamado no saco ao descer aos vestiários.

Permitiu que a confa tivesse final de grinfa.

O Santa Cruz na fossa.

O Botafogo na maré mansa.

O Santa Cruz metendo os peitos.

O Botafogo metido a sebo.

O Santa de fininho marca 1 a 0.

O Botafogo dá uma incerta e empata em 1 a 1.

O Santa vai lá e dá outra de bacana: 2 a 1.

O Botafogo deixa cair e chega aos 2 a 2.

Botafogo calibrado fica de bobeira.

E o folgado do Santa mete 3 a 2.

Não entendeu nada do que foi escrito?

Ficou ouriçado?

Liga, não!

É um Brasão, mora?

 



Escrito por Roberto Vieira às 14h10
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QUIZ DO DIA

                      

 

Qual o jogo?

 

Quais os jogadores?

 

Em que times jogavam os dois jogadores na época desta Copa do Mundo?



Escrito por Roberto Vieira às 11h30
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O ADEUS DE JOÃO PAULO II

 

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

O dia 2 de abril de 2005 foi um dia triste.

 

O Papa João Paulo II disse adeus.

 

Um adeus que encerrou sua lenta agonia.

 

João Paulo proclamava-se contra o controle de natalidade.

 

Contra as idéias da Igreja Progressista.

 

Era mais conservador que liberal.

 

Mas a perfeição é divina.

 

Passa longe dos papas.

 

- Que o diga São Pedro.

 

Papas não podem tudo.

 

Observando João Paulo pela pespectiva histórica.

 

Seu perfil ganha contornos heróicos.

 

Uma Igreja dominada pelos italianos.

 

Uma Igreja de mãos dadas com as ditaduras militares sul-americanas.

 

Uma Igreja que sorriu com João Paulo I.

 

Desaparecido em circunstancias misteriosas.

 

Uma Igreja que recebeu o polonês com incredulidade.

 

Digna do anúncio de outro grande Papa:

 

João XXIII.

 

Em 1980, João Paulo II visitou Recife.

 

Uma visita inédita.

 

O encontro com Dom Hélder foi mitológico.

 

Um encontro de irmãos na fé.

 

A missa no viaduto Santa Joana foi apoteótica.

 

- Eu estava lá completando 15 anos de idade.

 

Um ano depois, tiros.

 

João Paulo é baleado por Mehmet Ali Agca.

 

Um terrorista a soldo de Moscou e Sofia.

 

Agca que utilizou uma Browning 9 mm.

 

- Quem já atirou com pistola sabe o estrago que ela causa.

 

Operado na Clínica Gemelli de Roma.

 

Pela equipe do cirurgião Giancarlo Castiglione.

 

O atlético João Paulo II sobreviveu.

 

Para assistir de camarote a queda do Muro de Berlim.

 

Papas são santos?

 

Não.

 

Papas são gente de carne e osso.

 

Porém.

 

Papas como Pedro, Roncali e Karol.

 

Fazem o intelecto ficar pensando.

 

O quanto de divino existe no humano...

 

 

         

 

 

NOTA: Na foto acima, a equipe que operou o Papa João Paulo II



Escrito por Roberto Vieira às 11h18
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O DIA EM QUE A COBRA COMEU O URUBU

        

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

O Rio de Janeiro já foi tricolor.

Tricolor pernambucano.

Você não lembra?

Pena!

Então não custa lembrar.

O Flamengo de Zico e Cláudio Coutinho era o ponto futuro.

Um estilo de overlappings e biorritmos.

Júnior e Doval trocando de posições.

Maracanã lotado naquele 4 de dezembro de 1975.

Setenta e cinco mil torcedores em plena quarta-feira.

Jogo transmitido para o Recife.

Mas ninguém tinha dúvida:

O urubu ia papar a cobra coral.

Uma visão posterior da partida, entretanto.

Mostra que a parada era indigesta para a ave carioca.

O Santa Cruz tinha Givanildo.

O cabra que botou Falcão no banco na seleção.

O Santa tinha Mazinho.

Um Príncipe Etíope sem coroa no meio campo.

O Santa tinha o artilheiro do Brasileirão 1973 no ataque: Ramon.

Ramon que deixava na reserva o cabelo de fogo Nunes.

Só um timaço podia se dar a esse luxo.

Além disso.

O Santa Cruz estava barbarizando na fase final do Brasileirão.

 Bateu o Super-Internacional e o Grêmio.

Goleou os rivais Náutico e Sport.

Chegou líder e invicto na última rodada.

Podendo até empatar.

Curiosamente.

O empate classificaria rubro negros e tricolores.

O Internacional cairia fora.

O que podia ser jogo de compadre.

Virou jogo de gato e rato.

Ou melhor: De cobra e urubu.

Está certo que Zico meteu o dele.

Mas a máquina do Arruda nem quis saber do Galinho.

Volnei fez o dele.

E quando o Flamengo pedia pro Santa Cruz se acalmar.

Que o empate estava de bom tamanho.

Ramon cismou de fazer gol também.

O Brasil assistindo a festa que deveria ser do Flamengo.

Festa que foi vermelha, branca e preta no Maracanã.

O Brasil que vivia o reino do terror do Planalto Central.

Sentindo a força do Terror do Nordeste.

O retorno dos heróis de 75 foi um carnaval fora de época.

As ruas do aeroporto até o Estádio José do Rego Maciel intransitáveis.

A torcida cantando:

“Quem é que quando joga...”

O Rio de Janeiro já foi tricolor.

Tricolor pernambucano.

Você não lembra?

Pena!

Então não custa lembrar.

 



Escrito por Roberto Vieira às 08h03
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CARTA AO MESTRE LUCÍDIO

 

Por EDGAR MATTOS

 

 

Lucidio, amigo velho, eu que, igualmente setentão, sou também alvirrubro apaixonado, da estirpe dos que, como você, jamais vaiaram o time do Náutico, nem jamais denegriram o nosso clube, não o confundindo com indignos dirigentes, não posso aceitar suas palavras de tanto desalento, nem admitir um torcedor da sua tradição e da sua grandeza jogar a toalha da rendição.

 

Lembre-se do que escreveu certa feita, consagrado autor da história do alvirrubro pernambucano, rememorando a saga do Náutico nos anos 90:

 

 

"Na segunda metade da década, o Náutico chegaria de fato ao fundo do poço. Em 97, ultrapassado na tabela de pontos por clubes modestos, como o Porto, vice-campeão, o Recife e a C abense, restava-lhe um desmoralizante sexto lugar na classificação final. No ano seguinte, mais uma vez deixando passar a sua frente o Porto, um time do Interior, sem história e nenhuma tradição no nosso futebol, terminou se contentando com um pálido terceiro lugar...

 

"... caindo tecnicamente pelas tabelas, não tinha mais nenhum crédito. Ninguém mais respeitava o glorioso clube dos Aflitos..." "A história e as tradições do clube eram simplesmente esquecidas, e, o que é pior, confundidas com a precariedade técnica do time no momento, com aquilo que o poeta disse ser transitório e provisório. Esqueciam os críticos as lições deixadas por Carlos Pena Filho. Mesmo que tudo esteja perdido, ainda resta apelar para o acaso...

 

"Ao clube alvirrubro, envolvido por um turbilhão de dívidas e ações trabalhistas que lhe consumiam cruelmente todo o seu orçamento, que pela própria lógica do mercado já não era grande coisa, restava-lhe tão-somente lutar para não afundar de vez". "No início de 2001, o time vivia, pois, essa dolorosa situação. Atolado na divisão de baixo do futebol brasileiro, balançando entre as agruras deste e os percalços da disputa doméstica."... "Depois, é do futebol mesmo. Ele tem muito disso. Um time que não vem bem num determinado período, ou até mesmo no correr de uma competição, e de repente se agiganta diante do impossível, precisamente quando vai enfrentar ou está enfrentando o seu principal rival. Forças como que adormecidas ressurgem do nada. Torcedores, dirigentes, jogadores, como que tocados pela vara mágica da história, acreditam que é possível e saem de mãos dadas em busca da vitória reabilitadora, mudando o curso de um jogo ou de um campeonato inteiro. Foi precisamente o que aconteceu em 2001 com o Náutico"

 

 

Foi com você, meu caro Lucídio, com suas palavras impregnadas de paixão e de sabedoria, que nós, torcedores do Náutico, aprendemos a nunca desanimar. Mesmo quando tudo parecer perdido. Esperar sempre. Pelo milagre, pelo acaso, pela superação.

Por isso, velho amigo, VOCÊ NÃO! Você não pode desertar. Quem, armado com as lições da História, haverá de nos ensinar a Esperança? Você que, qual um bravo chefe Timbira, sempre nos reanimou, como que a conclamar aos mais jovens a coragem de verdadeiros jucas piramas:

 

 

"Não chores meu filho

Não chores que a vida

É luta renhida

Viver é lutar

Se o duro combate

Aos fracos abate

Aos fortes, os bravos

Só pode exaltar"

 

 

Vamos lá, Mestre Lucidio, um líder como você não pode fugir à luta!

 

 

Se o Jequitibá desaba o que será do resto da floresta?



Escrito por Roberto Vieira às 06h02
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1919, SANTA CRUZ 3 X 2 BOTAFOGO-RJ: O DIA EM QUE O FUTEBOL PERNAMBUCANO NASCEU

 

Por motivos óbvios.

 

Repito o texto de quinze dias atrás...

 

 

 

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

O paquete Itaquera chegou ao porto do Recife às 11h00. Uma pequena multidão esperava os craques cariocas, entre os presentes, representantes de todas as equipes da Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT). Nada foi esquecido. Duas bandas tocavam dobrados e valsinhas para entreter o povo. Logo que o navio entrou no porto, várias lanchas seguiram ao seu encontro embandeiradas. Pernambuco se rendia ao futebol. Pernambuco que havia organizado seu primeiro campeonato estadual no ano de 1915. Quatro anos antes desta manhã ensolarada de janeiro.

 

Após o desembarque, a comitiva se dirigiu ao Clube Helvética, onde foram oferecidos vermutes e bolinhos aos visitantes. O Sport Club do Recife, na pessoa do Sr. Carlos Lima, saudou os alvinegros. Sport que inaugurava a arquibancada de madeira da Avenida Malaquias e promovia a excursão botafoguense. Os vinte e um automóveis do cortejo prosseguiram saudados pela multidão até o Hotel do Parque, onde ficaram acomodados por conta dos rubro-negros pernambucanos. O chefe da embaixada, Sr. Oscar Gomes de Matos, e o capitão da equipe Osny Wernet agradeceram as homenagens e imaginaram que tudo seria um passeio.

 

O redator do 'Paiz', Carlos Stelling perguntava a todos pelo estágio do futebol pernambucano. Diante da acolhida digna de uma seleção inglesa dada aos seus amigos do Rio, Stelling teve a certeza de que viriam algumas goleadas naquela excursão. De noite, alguns jogadores pensaram em ir até o cinema Moderno assistir o romance policial 'As Sete Pérolas', entretanto um jantar os esperava na sede do Sport. No dia 26 de janeiro, o Botafogo pagou as gentilezas do Sport com um sonoro 6 a 1 no estádio da Avenida Malaquias. A goleada não afetou as relações entre os dois clubes. Tinha sido até de pouco, pensavam os rubro-negros.

 

O próximo jogo dos cariocas seria contra o Santa Cruz Football Club. Um clube esquisito para os padrões da época. Um time de brancos, negros, mulatos, doutores e analfabetos. Um time com apenas cinco anos de vida. As demais torcidas de Pernambuco não puderam reprimir o riso. Os meninos tricolores iam levar uma surra daquelas! Ainda mais que o Santa Cruz parecia ter um azar dos diabos. Em quatro campeonatos pernambucanos disputados até aquela data, o clube do Largo da Santa Cruz havia sido vice-campeão por quatro vezes. Título que era bom, só no pendura.

 

Nesse ânimo, o Botafogo, vice-campeão carioca de 1918, entrou novamente no estádio da Avenida Malaquias no dia 30 de janeiro de 1919 alinhando Cazuza; Osny e Monti; Pollice, Vadinho e Burlamaqui; Celso, Petiot, Santinho, Garcia e Neco. Já o Santa Cruz, vice-campeão pernambucano de 1918, zebra em todas as bocas da crônica esportiva local, escalou Ilo; Bebé e Jorge; Zé de Castro, Theophilo, M. Pedro; Eurico, Pitota, Tiano, Miranda e Nequinho. O público superlotava o pequeno estádio. Talvez o maior até aquele momento em Pernambuco para uma partida de futebol. O árbitro seria justamente o Sr. Stelling, o curioso redator do 'Paiz'.

 

Foi melhor assim. Porque naquele dia nasceu o futebol pernambucano.

 

A preliminar já tinha sido um aviso. O segundo time do Santa Cruz vencendo um combinado dos segundos times de Botafogo e Sport por 2 a 0.

 

O Botafogo começou atacando com a audácia dos que se imaginam invencíveis. O Santa Cruz se defendia com a faca entre as presas corais. O arqueiro Ilo fazendo milagres. Ilo que havia recebido um escudo de ouro do Santa Cruz momentos antes da pugna, em sinal de gratidão pelos feitos heróicos sob as traves. O primeiro tempo é duro, muito mais duro do que supunham anteriormente os alvinegros, mas no último minuto um chute de Petiot é defendido parcialmente por Ilo Just de munhecaço, a pelota chega aos pés de Santinho que emenda de primeira para nova defesa de Ilo. Na terceira tentativa, Petiot empurra a bola para as redes: Botafogo 1 a 0.

 

Parecia que o destino estava escrito. Porém, o Santa Cruz havia resistido o tempo suficiente para aprender a sonhar.

 

Quando o segundo tempo inicia, Nequinho dribla pela esquerda e cruza na medida para o genial Tiano empatar a peleja. O gol contagia a platéia que grita em uníssono o nome do Santa Cruz. O Botafogo sente que perde as rédeas do espetáculo. Miranda rouba a bola no meio de campo e enfia na ponta para Pitota - apelido do ídolo Alcindo Wanderley. Pitota manda bala e Cazuza salta no vazio. Parece mentira. Ilusão. O Santa Cruz está vencendo o Botafogo por 2 a 1.

 

Pressão do campeão de 1910. A bola vai entrando e Jorge salva. O juiz Stelling vê bola na mão. Bola na mão é pênalti. Vaias na multidão. O Santa Cruz protesta, mas quem já viu juiz voltar atrás em sua decisão? Ilo se coloca na barra. Monti cobra a penalidade e a bola se choca contra a trave, Ilo salta e desvia, Monti se joga com as mãos e empata a peleja. Ante o olhar atônito da torcida e dos jogadores, Stelling valida o tento de Monti.

 

Pra quem se imaginava derrotado, quem sabe goleado, o empate já seria grande coisa. Mas os jogadores tricolores olham para a multidão em sua volta e se imaginam craques. Nenhum clube pernambucano havia vencido um clube do Rio ou de São Paulo até aquela data. Eram goleadas e mais goleadas. Vexames, até. O público aplaude os jogadores do Santa Cruz e os jogadores decidem mudar a história. O destino é o craque quem faz.

 

Tiano recebe de Theophilo e vislumbra Nequinho livre. No instante seguinte Cazuza se vê frente a frente com Nequinho. Dois segundo depois o estádio da Avenida Malaquias estremece com arquibancadas de madeira e tudo. O Santa Cruz acaba de marcar seu terceiro gol. A festa é tanta que até hoje não se sabe se o gol foi de Nequinho ou de Tiano. Tiano, ou melhor, Martiniano Fernandes, craque e goleador. Futuro médico e senador da República. Nequinho que jogava no segundo quadro, e somente atuou porque o titular Anísio estava machucado.

 

O jogo aconteceu há 91 anos. Nessa quarta-feira, Santa Cruz e Botafogo se encontraram novamente pela Copa do Brasil. O Botafogo da Estrela Solitária. O Santa Cruz, antigo Terror do Nordeste. O resultado foi o mesmo 3 a 2 de 1919.

 

O jogo de 1919 que permanece inesquecível na memória pernambucana.

 

Como a primeira vitória de um clube pernambucano sobre um grande do Rio ou de São Paulo.

 

Para muitos, o maior jogo do século XX em nossa terra.

 

Para muitos, o dia em que o futebol pernambucano nasceu...



Escrito por Roberto Vieira às 05h43
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O SANTA DE NENÉM PRANCHA

                      

 

 

O futebol tem dessas coisas.

 

Arruda.

 

Elvis perde um pênalti contra o Botafogo.

 

Maracanã.

 

Outro pênalti.

 

Adivinha quem vai bater?

 

Elvis de novo.

 

Será que ninguém raciocina no banco tricolor?

 

Qual o critério pra Elvis bater de novo?

 

Se fizer?

 

Obrigação.

 

Se perder.

 

Vira Judas na paixão.

 

Dado!

 

Se tiver mais pênaltis pras bandas corais.

 

Manda o chefão cobrar.

 

Como diria Neném Prancha.



Escrito por Roberto Vieira às 22h32
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QUIZ DA NOITE

                 

 

 

Craques e irmãos.

 

Brothers in arms.

 

O mais velho cansou de fazer gol.

 

O mais jovem cansou de impedir gols.

 

Ambos refinados.

 

Incapazes de usar da violência.

 

Embora a crônica esportiva.

 

Tenha espalhado justamente o contrário.

 

O mais jovem eu vi da última vez em foto.

 

Pobre e esquecido nas ruas de sua adoção.

 

Como Gordon Banks.

 

Sem visão.

 

E então?

 

Os irmãos?

 

Os craques?

 

Quem são?



Escrito por Roberto Vieira às 22h00
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TRISTEZA

 

Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA    

 

 

 

O Náutico atual não vai mais a lugar nenhum. Acabou. Deixa pra lá. O caminho é a terceira divisão. Depois, esquecimento.

 

Tenho 78 anos. Não dá mesmo para esperar. O horizonte: triste e esmaecido esquecimento. Momento para o réquiem. Chama o Mozart. Ou o Mendel.

 

Esperar o quê? Deixar chegar o final de abril, o penta do Sport. Depois, segundo o Conselheiro Acácio, vem o hexa. Triste. Melhor, deixar o rival ir em frente, ser hepta em 2012. E dar os trâmites por findos. Não é isso o que lhe resta?

 

 

Nem ter sido Hexa no tempo de Pelé, vale ou melhora. Sejamos práticos. Todos iguais. Hexa ou hepta, todos no mesmo barco das desilusões. Estamos todos neles, na companhia heróica de Tyrone Power. E que estejamos presentes aos funerais. Uma questão de respeito e solidariedade.

 

Ainda bem que me resta o blog. A lembrança do passado. Os amigos que fiz. O Náutico como um retrato na parede. Obrigado, Roberto! Obrigado, Celso! Um beijo na testa de Drummond.

 

Hoje estou muito triste. Melhor parar por aqui.

 

Saudações alvirrubras do

 

Lucídio

 

  

NOTA DO BLOG:

 

 

O relato acima.

 

Foi enviado por Mestre Lucídio José de Oliveira.

 

Lucídio que é - juntamente com Carlos Celso Cordeiro.

 

Na minha humilde opinião.

 

Duas das maiores expressões da paixão alvirrubra.

 

Fora das quatro linhas do gramado.

 

Não é possível que as palavras de Lucídio.

 

Não emocionem o torcedor alvirrubro.

 

- Porque emocionam qualquer torcedor na verdade.

 

São palavras de quem amou por toda vida o clube.

 

De quem nada pediu em troca.

 

De quem nunca vaiou o time.

 

De quem nunca teve uma palavra de ódio em seu currículo.  

 

De quem nunca insultou seu clube amado.

 

De quem sempre esteve de coração aberto.

 

Sorrindo para o clube que significa.

 

Uma parte imensa de sua existencia.

 

As palavras são publicadas.

 

Na esperança de que a dignidade e o respeito no clube prevaleçam.

 

Na esperança de que a vergonha da noite passada.

 

Seja lição.

 

Pois o homem sempre será seu sonho.

 

E o homem sem sonho é nada.



Escrito por Roberto Vieira às 18h47
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QUIZ DO DIA

  

 

Qual o jogo?

 

Qual jogador acabou de marcar um gol?



Escrito por Roberto Vieira às 15h31
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81. HISTÓRIAS DA COPA: O BOM DOUTOR

 

Dia da final da Copa de 1930.

 

Uruguai x Argentina.

 

O craque argentino Varallo sente fortes dores.

 

Os argentinos não levaram um médico com a delegação.

 

Os uruguaios oferecem os préstimos do Dr. Campisteguy.

 

Campisteguy que é médico e filho do presidente uruguaio.

 

Ao examinar o craque.

 

Dr. Campisteguy afirma que o mesmo não deve jogar a final.

 

Sua lesão é séria.

 

Os dirigentes argentinos desconfiam do médico:

 

"O doutor está nos enganando!"

 

Varallo é escalado.

 

Com quinze minutos de jogo está mancando em campo.

 

Os argentinos perdem a final por 4 a 2.

 

O jovem médico assiste a tudo em silencio.

 

Seu pai o abraça comovido com um sorriso.

 

Um sorriso de quem foi soldado.

 

Um sorriso de quem conhece o filho que tem.

 

Um sorriso de quem sabe.

 

Que a Copa do Mundo não valeria uma mentira do seu filho.

 



Escrito por Roberto Vieira às 15h16
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COLUNA DO EDGAR: RÓTULO: ESTIGMA OU DESAFIO?

                             

 

 

Por EDGAR MATTOS

 

 

          A vocês pais recentes, que se inauguram na difícil tarefa de educar filhos, dedico este alerta. Lição que, tão despreparado como todos os jovens para as importantes responsabilidades da função paternal, aprendi intuitivamente muito cedo, antes de consumar um exercício desastroso dessa relevante missão educativa. Ao repreender seus filhos, evitem rotulá-los. Seres humanos, sobretudo quando ainda em formação, ainda não são; estão sendo. Portanto, nada de sentenciá-los, com força de julgamento definitivo, atribuindo-lhes qualificativos depreciativos. "Esse menino é preguiçoso"; "esse menino é desajeitado"; ou, mais contundentemente, "esse menino é burro"; "esse menino é mentiroso", por exemplo. Os rótulos "pegam", agregam-se à personalidade da criança, assim como se grudam nas garrafas. Difícil, muito difícil, depois de assumidos, alguém deles se livrar. No papel que cada pessoa incorpora na grande representação que é a vida social, essas prematuras designações, mormente quando formuladas com a autoridade de quem detém o pátrio poder, adquirem, quase sempre, a dimensão de um estigma. Uma predestinação. Um fadário. A que se conformam alguns acomodados, resignados à sua condenação, como se não lhes restasse alternativa senão corresponder ao rótulo que, inadvertidamente, lhes pespegaram.

 

 

          Há, contudo, alguns que, revestidos de uma boa dose de amor próprio, conseguem sobreviver às sequelas desses insidiosos prejulgamentos. Para esses, epítetos desabonadores funcionam, ao revés, como motivação especial e até como um estimulante desafio - um veredicto a desmoralizar, uma afronta a repelir, enfim, uma adversidade a vencer. 

 

 

         Como pessoa bem mais velha, que já experimentou o anátema do preconceito (inclusive o de ser nordestino), tomo-me, mais uma vez, como referência para relatar caso comigo acontecido.

 

 

          Aos 10 anos de idade, chegava eu ao Ginásio São Luiz - então escola modesta, "primo pobre" do Colégio Marista. Candidato ao "exame de admissão", espécie de "vestibular" para se ingressar no curso ginasial. Rito de passagem bastante significativo na vida escolar: trocar o primário, de classes unidocentes - uma única mestra que, naquela época, ainda não era chamada "tia"- pelo ginasial, com professores vários, todos do sexo masculino, um para cada disciplina. Some-se às expectativas dessa situação nova o natural impacto emocional decorrente de uma mudança de escola

 

 

          Pois bem, ao comparecer, cheio de ansiedades e receios, para a matrícula no São Luiz, conduzido pelas mãos de minha mãe, tive o dissabor de receber, nesse primeiro contato com a nova escola, a seguinte e demolidora avaliação do Irmão Macedo, nessa ocasião fazendo as vezes de diretor: "ele é muito franzino; não sei se vai aguentar o repuxo; o nosso regime é de muita atividade esportiva, de muita exigência física". Para mim, que já jogava uma bolinha e, embora muito magro, estava longe de me sentir um "fracote", essa sentença só serviu para mexer com meus brios. Nada comentei com minha mãe que, também sem nada dizer, ficara horrorizada com a indigência pedagógica daquele pretenso educador.

 

 

          Iniciadas as aulas, eis que se me coloca o primeiro e grande desafio. Sessão de Educação Física e, dentre as provas de avaliação, uma na qual poucos conseguiam êxito: utilizando uma corda grossa alcançar uma plataforma de cerca de 5 (cinco) metros de altura. Sempre tive uma certa agilidade para subir em árvores tipo mamoeiro, agarrado ao tronco ( vide foto em epígrafe ). Mas com auxílio das pernas, é claro. Ali teria que contar apenas com a força dos braços. Finalmente, após as tentativas fracassadas dos meus antecessores, chegou a minha vez. Mal iniciei a escalada e pude constatar o grau de dificuldade que teria que enfrentar. Pensei em desistir. Foi quando me lembrei do comentário desairoso do Irmão Macedo e meu ânimo se revigorou. Num esforço supremo consegui tocar a plataforma. Mas, atingida a meta, já no limite das minhas forças, não consegui retornar ao solo de forma controlada, mão-após-mão, em processo inverso ao da subida. Desci desastradamente, deixando-me arrastar pela áspera corda, deslizando até o chão, com a fina epiderme das minhas mãos de menino a se dilacerar todinha. Cheguei ao solo com as palmas das mãos totalmente "despeladas", em "carne viva", como se dizia. Disfarçando a dor, sem conseguir sequer fechar as mãos, mas cheio de orgulho, realizado mesmo. O "menino franzino" tinha sido um dos poucos a cumprir a prova. O "menino franzino” “aguentara o repuxo". Estava vencido o desafio.

 

 

   

 

(Depois desse dia, passei uma semana sem conseguir segurar uma caneta, impossibilitado de escrever. Em compensação, perante os colegas, meu conceito subira mais do que a altura da plataforma conquistada. De resto, dois anos depois - como já disse em crônica anterior - o menino se destacava tanto no futebol que o Irmão Boaventura, encarregado da parte esportiva do Ginásio, o proclamava, com ou sem razão, o "mais técnico jogador do São Luiz".)

 



Escrito por Roberto Vieira às 08h34
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COLUNA DO CARLOS HENRIQUE: O DESAFIO

           

 

 

Por CARLOS HENRIQUE, GM

 

 

O The British Country Club possui um campo de futebol de dimensões oficiais, com um gramado de fazer inveja. Na década de 70 existiam duas peladas tradicionais, formadas por veteranos do futebol e sócios do clube. Desfilavam por lá nomes como o do goleiro Naércio, campeão pelo Santa Cruz em 1969, Illo Caldas e Zé Maria, campeões pelo Sport em 1953, o meio campo Paulo Bagi (médico hoje em dia), o ponta direita Edgar (ex-Náutico e América), o ponta esquerda (super-veterano) Paulo Ramos, dentre outras estrelas. Eles jogavam nas quintas-feiras à noite (entre eles), e nos sábados à tarde, em desafios contra times visitantes, alguns até da 2ª divisão de PE. Estavam invictos há mais de 30 sábados. Geralmente os times visitantes recebiam uma “generosa” dose de intimidação, que vinha do extra-campo (juízes, seguranças, os gritos de Illo Caldas, etc..), o que “facilitava” o serviço de ganhar a grande maioria dos jogos.

 

Aos domingos pela manhã, sob um sol escaldante das 11 hs, jogava o Falta de Ar Futebol Clube. Um time formado por jovens, e que herdou o nome de uma antiga pelada, onde participavam o meu saudoso pai (José Meneses) e o seu amigo Aurélio de Sá Menezes. Os dois veteranos bancavam as camisas (alvirrubras), as bolas, e o lanche pós-jogo. Eles faziam apenas dois singelos pedidos: manter o nome Falta de Ar, e que eles jogassem os primeiros 15 minutos, um na ponta direita e o outro na ponta esquerda. Ou seja, sempre começávamos os jogos com 2 a menos. Mesmo assim mantivemos uma invencibilidade nas manhãs de domingo por mais de 20 semanas.

 

Um belo dia, numa conversa com Naércio e Illo Caldas surgiu a idéia de um desafio. Um jogo entre Veteranos X Jovens do clube. Os invictos há mais de 30 sábados X os invictos há mais de 20 domingos.

 

A princípio ficamos com receio, pois os jogos dos sábados eram recheados de jogadas violentas, não raramente pancadarias. Os veteranos, capitaneados pelo Illo Caldas não perdoavam, batiam! Mas o desafio foi aceito. Seria o nosso batismo de fogo. O mais velho do nosso time tinha 20 anos.

 

Na semana que antecedeu ao grande desafio não se falava outra coisa no clube, se não o jogo dos meninos do domingo contra os veteranos. Uns falavam em goleada histórica. Outros até aconselhavam para nem comparecermos, alegando que o W.O. seria mais honroso.

 

No sábado 14 de setembro de 1976 o Falta de Ar entrou em campo para o jogo mais importante de sua existência. A escalação inicial foi: Carlos Henrique no gol; a defesa formada por Bilinha, Regueira, Edson Meira e Ânderson; Bartolomeu Carrazoni, Peixinho e Brivaldo Markmam formavam o meio de campo; o ataque foi de Romero Rosa Borges, Clóvis e Celso Assunção. Estávamos prontos para o grande desafio.

 

As laterais do campo estavam repletas de expectadores, em especial a torcida feminina, que ficou do nosso lado. As cadeiras da varanda do clube foram trazidas para a beira do gramado, para acomodar a grande torcida presente naquela tarde de sábado.

 

O primeiro tempo foi bastante disputado, com lances de perigo dos dois lados, e boas defesas minhas e de Naércio. Dava para perceber nitidamente que os veteranos estavam jogando limpo, e sem faltas violentas. O nosso jogo era rápido, com passes e dribles curtos, envolvendo os veteranos. O primeiro tempo terminou empatado em 0X0. Para nós um alívio, quase uma vitória.

 

Durante o intervalo Bartolomeu Carrazoni e Brivaldo Markmam passaram as instruções necessárias para buscarmos o gol. Uma vitória nossa era mais que possível. Sentíamos isso.

 

Aos 10 minutos do segundo tempo, num cruzamento de Romero, Clóvis abriu o placar. Falta de Ar 1X0. A partir daí o Illo e o Zé Maria passaram a gritar com os seus, partiram prá cima da gente com muita força, pressionando o juiz e tudo mais que tinham direito.  Fechamos a nossa defesa, e só saíamos em contra-ataques rápidos. Sofremos um violento bombardeio até os 40 do segundo tempo. Foi bola na trave, chutes perigosos do Edgar e Paulo Bagi, outras defesas minhas, uma delas salvando um gol certo com a ponta dos dedos. Um milagre!

 

A pressão exercida pelos veteranos era muito grande. Todos gritavam e gesticulavam, tentando nos intimidar. Por várias ocasiões a nossa cidadela ficou ameaçada de cair. Num lance de perigo, Illo entrou pela direita, me joguei aos seus pés, encaixei a bola e soltei um grito de dor! Fiquei gemendo por alguns segundos, com uma mão no rosto simulando ter sido atingido, e a outra mão segurando firmemente a bola. Foi aí que Regueira se aproximou e disse: “levanta que teu pai tá lá querendo brigar com Illo, achando que foi maldade dele”! Rapidamente fui ao encontro deles, ajudando a separar os brigões, fato este que gerou mais ira dos veteranos, já que tudo não passou de uma encenação para ganhar tempo.

 

Depois de alguns preciosos minutos de paralisação o jogo foi reiniciado. Nos minutos finais, num contra-ataque rápido, Celso Assunção foi lançado, e sozinho, frente a frente com Naércio tocou na sua saída fazendo 2X0. Todos correram para abraçar o Celso, inclusive eu.

 

Depois de quase 5 minutos de acréscimo, o juiz apita o final da partida. Vitória histórica, convincente, justa, de um bando de garotos que resolveu encarar um desafio, não se intimidando com a força e o poderio técnico, nem com o “extra-campo” do adversário.

 

Muita coisa mudou na nossa pelada depois do feito histórico. Saímos do causticante sol das manhãs, e passamos a ter direito de jogar nos domingos à tarde, utilizando os refletores no entardecer. Ganhamos três novos padrões de camisas, todas alvirrubras (a listrada tradicional, a branca e uma toda vermelha, que o Náutico passou a usar de 2001 para cá).

 

Em 1977 participamos da COPA ARIZONA, com mais de 100 times inscritos. Conseguimos chegar as quartas de final, ficando com um honroso 8º lugar.

 

Hoje o Falta de Ar Futebol clube faz parte da galeria de futebol do Country Club, onde existe um pôster com a foto dos heróis daquele desafio. Os peladeiros hoje em dia são profissionais bem sucedidos, cada um em sua área, e daqueles tempos ficaram as histórias para serem contadas aos nossos filhos e aos amigos, além da forte amizade entre nós.

 



Escrito por Roberto Vieira às 08h27
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LOTERIA ESPORTIVA

 

Antecipo os jogos.

 

Para que todos possam comer chocolate em paz.

 

 

1. Cabense x Sport

2. Vitória x Náutico

3. Ypiranga x Santa Cruz

4. Central x Porto

5. Sete de Setembro x Vera Cruz

6. Araripina x Salgueiro

7. Ceará x Quixadá

8. Boa Viagem x Fortaleza

9. Fluminense x Bahia

10. Atlético-BA x Vitória

11. Sã Caetano x Santos

12. Ituano x Corinthians

13. Barcelona x Athletic Bilbao



Escrito por Roberto Vieira às 08h05
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DEU A LÓGICA

                                      

 

 

O futebol tem sua lógica.

 

O Náutico teve chance de abrir o marcador.

 

Rafael Foster. 

 

Mas Foster é o primeiro gaúcho com banzo na história.

 

Algo inédito e digno de estudo.

 

Nilson no banco.

 

Zé Carlos sobrenadante.

 

Gustavo levando um peru por cima.

 

Uma presepada por baixo.

 

Nem o pênalti perdido resolveu a cardiopatia congênita alvirrubra em 2010.

 

Goleada.

 

Final: Vitória 5 a 0.

 

Na Ilha do Retiro.

 

O Paraná teve sua chance.

 

Depois foi o Sport que jogou a conta do chá.

 

Nada de muito especial

 

Apenas a Camellia sinensis de sempre.

 

1 a 0 com belas defesas de Magrão.

 

Agora é esperar o Galo.

 

Galo com um 'L' apenas...

 

Se a Chapecoense de Macuglia deixar.

 

Amanhã?

 

Santa Cruz. 

 

E a cruz do alvirrubro.

 

O retrato:

 

Do Ivson.

 

A pergunta?

 

Depois do Leivinha.

 

Quem será que é o bode expiatório da vez?

 



Escrito por Roberto Vieira às 23h42
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O JOGO DOS SONHOS: O DIA EM QUE PELÉ ENFRENTOU DI STEFANO

 

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

Quando alguém sonha com o encontro Barcelona x Santos.

Ele sonha o mesmo sonho dos torcedores dos anos 50.

O sonho de ver frente a frente os melhores times do mundo.

Times que naquela época se chamavam Santos e Real Madrid.

Sonho realizado no dia 17 de junho de 1959.

Diante de um Santiago Bernabeu lotado.

Homenageando o craque Miguel Muñoz.

O Santos vinha dinamitando os europeus.

O Real Madrid era pentacampeão europeu.

Prestes a se sagrar campeão do mundo.

Pelé era o presente e o futuro do futebol.

Di Stefano, o quase passado.

O Santos entrou em campo com Lalá; Pavão, Ramiro e Mourão;

Getúlio e Zito;

Dorval, Álvaro, Coutinho, Pelé e Pepe.

O Real alinhou Beralasuce; Marquitos, Santamaria e Casado;

Santisteban e Ruiz;

Gento, Mateos, Di Stefano, Del Sol e Gainza.

Curiosamente.

O Santos vestiu-se de branco no Bernabeu.

E o Real Madrid de azul.

Real Madrid que sofreu o primeiro gol.

Um tirambaço de Pelé aos 11 minutos de peleja.

O Santos vibra.

Por pouco tempo.

Aos 15 minutos Mateos empata.

Aos 17 minutos uma tabelinha infernal.

Mateo, Gainza, Di Stefano e Mateos novamente: Real 2 a 1.

Aos 35 minutos cruzamento de Di Stefano.

O infernal Mateos amplia o marcador.

O Real vence a primeira etapa por 3 a 1.

Cadê Pelé e Coutinho?

Não se sabe.

Mas Puskas entra no lugar de Mateos.

Provocando a maior concentração de gênios da história do futebol.

Pelé recebe a bola no segundo tempo.

Santamaría entra pra rachar.

Pênalti marcado pelo árbitro holandês Horn.

Pepe manda bala e fura a rede.

Jogo duro.

Puskas sobe de cabeça e homenageia Kocsis: Real 4 a 2.

Coutinho dribla um, dois e acha Pelé.

Pelé manda de curva, indefensável: 4 a 3.

O público se agita.

Mas a defesa santista procura e não acha Calvet, Mauro, Carlos Alberto e Gilmar.

Em seu lugar encontra Gento.

Tabelando com Del Sol.

Fuzilando na corrida o arqueiro Lalá.

Real Madrid 5 x 3 Santos.

No dia 17 de junho de 1959.

Dia que poderia ser consagrado como o Dia do Futebol.

Pra quem imagina que foi tudo farra e festa, um detalhe.

Aos 15 minutos do segundo tempo.

Jogo indefinido.

Uma garrafada atinge em cheio o ponta Pepe.

Pepe cai desmaiado em pleno Santiago Bernabeu.

Os militares prendem uns garotos nas arquibancadas.

O futebol podia ser de sonho.

Mas o pesadelo da violência já era bem Real.

Real que aproveitou a deixa e a garrafada.

E recusou-se a enfrentar novamente o Santos de Pelé...

 



Escrito por Roberto Vieira às 19h57
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LOTERIA EXTRA E CLASSIFICAÇÃO ATUALIZADA

 

Valendo 4 pontos cada escore correto.

 

Os jogos da Copa do Brasil.

 

1. Vitória x Náutico

2. Sport x Paraná

3. Botafogo x Santa Cruz

 

 

Boa sorte, turma!

 

Quanto a classificação.

 

Parabéns ao Mestre Arsenio.

 

Barba, cabelo e bigode no jogo do Sport!

 

Parabéns aos Mestres Houldine e Marcos Japiassu!

 

Barba e costeleta!

 

Parabéns aos Mestres Sérgio Galvão, Osvaldo Soares, Geandre, Antonio - o santista - e Guilherme Dias!

 

Fizeram cabelo no Clássico das Multidões.

 

O problema, meus senhores.

 

É que Durval XIII também passou na Barbearia da Loteria... 

 

 

 

                           1. Durval Valença - 208

 

2. Houldine - 152

3. Arsênio Meira - 146

4. Osvaldo Soares - 144

5. Antonio e Guilherme Dias - 140

6. Marcos Japiassú - 138

7. Joaquim Herbenio - 134

8. Sérgio Oliveira - 124

9. Geandre e Sérgio Galvão - 122

10. Carlos Henrique - 120

11. Lucídio José de Oliveira, André Gustavo e Washington Vaz - 114

12. Newton Pinheiro, Clávio Guimarães e Breno Lobo - 110

13. Harold, João Carlos e Roberto Salazar - 108

14. Erik - 104

15. Edgar Mattos - 100

16. Armando Pordeus - 98

17. Antonio Ricardo - 94

18. Danilo Otoni - 90

19 Fabiano - 70

20. Rafael Alves - 68

21. Glauber Vasconcelos - 58

22. Manuel Júlio - 56

23. Manuel Oliveira - 44

24. Clóvis Monteiro - 32

25. Lucas Raphael - 28

26. Tiago Borba - 26

27. Paulo Aguiar - 24

28. Rafael Borba - 20

29. Bruno Nunes - 12

 

 

NOTA: Valeu, Herbenio!



Escrito por Roberto Vieira às 17h42
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O BARCELONA AINDA NÃO É IMORTAL...

           

 

O Barcelona massacrou o Arsenal em Londres.

 

Meteu 2 a 0.

 

Poderia ter marcado dez.

 

Tal a distancia entre os jogadores em campo.

 

Subitamente, o Barcelona emudeceu.

 

Tomou um gol.

 

Tomou dois.

 

- O ótimo Fabregas se machucando batendo pênalti!

 

O encantamento do Barça ficou de lado.

 

O Barcelona é muito bom.

 

Mas ainda não é imortal.

 

Messi e Guardiola precisam aprender.

 

Real, Santos e Ajax não perdoavam.

 

Matavam sem dó nem piedade.

 

Eintracht, Benfica e Independiente que o digam.

 

Porém ainda existe tempo.

 

Quem sabe o Barcelona aprende.

 

O que os deuses Pelé, Di Stefano e Cruijff já sabiam desde pequenos.

 

Quem não faz, leva!

 

NOTA: No dia em que Cruijff esqueceu, a Holanda perdeu.



Escrito por Roberto Vieira às 17h37
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O FUNIL DA COPA DO BRASIL

                       

 

 

 

O caminho mais rápido da Libertadores.

 

Pode virar pesadelo logo mais.

 

Pesadelo para alvirrubros e tricolores.

 

- Como na trama política de 1996.

 

O Náutico enfrenta o Vitória no Barradão.

 

Vitória que venceu nos Aflitos.

 

Graças à santidade Timbu.

 

Bruno Meneghel teve pena dos baianos.

 

"Eles também são filhos de Deus!"

 

Ano passado na segunda fase do torneio.

 

O Náutico venceu o Criciuma.

 

O Vitória bateu o Juventude.

 

O Vitória que ainda foi mais longe.

 

Só caiu diante do Vasco nas Quartas-de-final.

 

Já o Náutico não resistiu ao Internacional.

 

No Engenhão.

 

O Botafogo entra de salto alto.

 

Ninguém acredita no Santa Cruz.

 

Pode ser.

 

Ninguém lembra.

 

Ano passado o Botafogo menosprezou o Americano.

 

Americano que havia desclassificado o Santa Cruz.

 

Americano de Kiesa.

 

Americano que apagou a estrela solitária nos pênaltis.

 

O Santa Cruz que joga hoje contra o Botafogo.

 

E contra Armando Nogueira que lá no céu.

 

Já escreve suas crônicas.

 

Na Ilha?

 

O Sport brinca de gato e rato com o Paraná.

 

A dúvida dos rubro-negros é pra saber de quanto será a goleada.

 

Mesmo pensamento do treinador Hélio dos Anjos em 1997.

 

Lembra?

 

 

      



Escrito por Roberto Vieira às 11h26
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82. HISTÓRIA DAS COPAS: PEDRA INGLESA CANTADA

 

 

 

OK.

 

Ninguém imaginava a zebra americana de 1950.

 

Porém, as apostas eram contra o English Team.

 

A Inglaterra atuara abaixo da crítica contra belgas e portugueses.

 

Uma vitória sobre a Itália por 2 a 0.

 

Foi mais fruto da tragédia de Superga.

 

Que do bom futebol inglês.

 

A pedra inglesa já era cantada em Londres.

 

E os ingleses no Brasil confirmaram as previsões.

 

Magra vitória pra cima dos chilenos.

 

Derrotas para americanos e espanhóis.

 

A temível Inglaterra era fantasma do passado...



Escrito por Roberto Vieira às 10h48
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QUIZ DO DIA

                    

 

Duas legendas se encontram no Sul-Americano.

 

Quem são os craques?

 

Qual o resultado da partida?

 



Escrito por Roberto Vieira às 10h00
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O MADUREIRA NO RECIFE

          

 

 

O futebol pernambucano estava na sua infancia.

 

Vez por outra era gente grande.

 

Vez por outra engatinhava.

 

Foi quando aportou por aqui o Madureira do Rio.

 

Nada de muito excepcional.

 

Embora o grande Dimas comandasse o ataque.

 

Ataque de Baiano, Cardoso, Dimas, Benedito e Tampinha.

 

O Santa Cruz foi a segunda vítima: 3 a 2.

 

Porque antes caiu o Sport.

 

Manuelzinho até que voou pra cortar os cruzamentos.

 

 

        

 

 

Porém.

 

A tarde era suburbana carioca.

 

Tarde de Mestre Dimas.

 

Tarde de Oswaldinho.

 

E tarde de Benedito.

 

Que chegou de cabeça, na foto.

 

Antecipando-se ao arqueiro rubro negro.

 

Madureira 3 x 1 Sport.

 

6 de janeiro de 1950.

 

 

         



Escrito por Roberto Vieira às 05h18
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QUIZ DA NOITE: QUEM SÃO ELES?

       

 

Quais os dois grandes goleiros?



Escrito por Roberto Vieira às 19h40
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QUIZ DO DIA: SANTA CRUZ 1 X 2 BANGU

   

 

Domingos da Guia não jogou.

 

Posou apenas para a foto.

 

O Bangu também não precisou.

 

Os 'mulatinhos rosados' traziam Princesa no gol.

 

Sula ocupa o lugar de Domingos da Guia.

 

No ataque:

 

Amaral, Menezes, Joel, De Paula e Moacir.

 

O Santa Cruz recebe os visitantes com Zébinga no arco.

 

Guaberinha, Elói, Schiller, Diniz.

 

A força de bicampeão pernambucano 1946/47.

 

Mas de nada adiantou.

 

Aos 2 minutos Binga e Biu se atrapalham.

 

Joel abre o marcador.

 

Pouco depois, Joel novamente.

 

Em cruzamento de Moacir que driblara Guaberinha.

 

Com 2 a 0 na primeira etapa.

 

O Bangu esperou o apito da fábrica apitar.

 

Nem mesmo o belo tento de Idimar.

 

Encobrindo o arqueiro Princesa fez diferença.

 

1948: Bangu 2 x 1 Santa Cruz.   

 

 

Qual a equipe em visita a Pernambuco?

 

Qual um dos gênios do futebol mundial?

 

Que aparece na foto?



Escrito por Roberto Vieira às 13h48
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O MESTRE DOS MESTRES

                                 

 

 

Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA

 

 

Uma homenagem singela a Armando Nogueira, o Mestre dos Mestres.

 

Alguns poucos recortes com sua assinatura tirados de jornais e livros:

 

Do livro "O Vôo das Gazelas": "A bola é uma flor que nasce nos pés de Zico com cheiro de gol. Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés."

 

Do livro "Bola na Rede": "Os cronistas de futebol são uns privilegiados que começam a jogar quando a partida termina. É por isso que ganham todas."

 

Sobre Pelé: "A bola da Copa não é branca, nem amarela, nem preta-e-branca. A bola da Copa é aquele imenso lençol de Pelé com o goleiro tcheco nas oitavas. A bola da Copa é aquele bate-pronto de Pelé, puro improviso que aprendi, vendo o goleiro do Uruguai fazer a mais difícil acrobacia para evitar o gol. A bola da Copa é o drible sem bola de Pelé, aplicando em Mazurkiewsck maravilhoso corta-luz-clarão de inteligência que a memória dos meus olhos não esquecerá jamais."

 

E a antológica declaração de amor ao futebol imortal de Ademir Menezes, feita logo depois da morte do craque nos anos 80: "Se o futebol me quisesse dar um presente, bastava que me desse um domingo inteirinho só de gols de Ademir Menezes. O estádio embandeirado, a multidão ali, em peso, todo mundo cantando e pulando pela glória do artilheiro inesquecível do Vasco da Gama. Nesta tarde de lembranças, quero rever, sobretudo, certos gols que ele fazia contra o meu time e que eu, doido de paixão, jurava que eram feitos pessoalmente contra mim. Quantas vezes amaldiçoei os "rushes" de Ademir! Ele arrancava do meio campo, temível, e, como um raio, entrava pela grande área, fulminante. O desfecho da jogada era sempre o mesmo: uma bola no fundo da rede, um goleiro desvalido e o meu coração magoado."

 

Do Mestre Armando guardo ainda uma lembrança pessoal:

 

Na Grande Área

Jornal do Commercio, edição de 16 de abril de 2003

 

"O centro de letra executado pelo vascaíno Leo Lima, em partida do Campeonato Carioca, acabou me pondo por esses dias a par de uma revelação interessante: o bisavô de Leo Lima, Isaías, jogando pelo Vasco fez um gol de letra que deu muito o que falar no Rio, nos anos 40. Como Isaías já tinha passado pelo goleiro Gijo, do Fluminense, os tricolores ficaram indignados, achando que a "letra" não passava de puro deboche. Isaías trouxera do Madureira um sortimento de jogadas que dividia com seus companheiro de ataque Jair da Rosa Pinto e Lelé. O trio era tão bom de bola que acabaria celebrizado como "O Trio Maravilhoso Regina", tirado de um "jingle" popularíssimo que vendia num mesmo pacote, um sabonete, um talco e uma água de colônia. A história está no livro "Paixão e Fidelidade". O autor assina a mensagem só com o prenome Lucídio e diz que vai me mandar um exemplar. É o que espero".

 

O livro, sim, foi com muito prazer e devoção enviado ao mestre.



Escrito por Roberto Vieira às 06h43
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MESTRE MANUEL NO ESTÁDIO DA LUZ

 

 

 

Foto batida por Mestre Manuel no jogo Benfica 1 x 0 Braga.

 

Manuel que está na terrinha.

 

Vibrando com a Águia.

 

Preparando a próxima crônica...



Escrito por Roberto Vieira às 06h41
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QUIZ DA NOITE

 

 

Qual a partida?

 

Quais os jogadores na foto?



Escrito por Roberto Vieira às 21h43
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COLUNA DO OTONI: VEM AÍ O MATA MATA

 

Por DANILO OTONI

 

 

Em um campeonato em que disputam 12 times em turno único, sendo que 8 se classificam para a próxima fase, 2 caem e 2 ficam sem fazer nada o restante do torneio, resta-nos concordar com Carlos Alberto Parreira: “Este campeonato mineiro é um absurdo.” Enfim, agora que conhecemos os 8 “melhores”, também nos resta uma afirmação: agora o campeonato começa de vez! Antes, registra-se a queda do Ituiutaba e Uberlândia para o Módulo II do Mineiro em 2011.

 

 

Começando de baixo pra cima, o Uberaba ficou em oitavo (15 pontos) devido ao seu saldo de gols: -7. Por mais estranho que possa parecer, o Zebu conquistou seu objetivo – manter-se na primeira divisão estadual e, ainda de quebra, participar das quartas-de-finais. O clube viveu um começo de ano dificílimo por falta de dinheiro, mas conseguiu a proeza de eliminar o Londrina na primeira fase da Copa do Brasil e alguns resultados surpreendentes no Mineiro. Não deve passar dessa fase.

 

 

Villa Nova ficou em sétimo (15 pontos e saldo negativo de 5). Todos esperavam mais do Leão do Bonfim, e pra quem quer retornar às elites do futebol nacional a campanha foi muito fraca. Apostou em veteranos (que até jogaram bem) mas devia começar os treinamentos mais cedo. Trocou de treinador durante o Mineiro e a aposta em Flávio Lopes pareceu ser certa – além de conhecer o clube, o novo treinador entende de Minas Gerais.

 

 

O esperançoso América terminou em sexto (também com 15 pontos mas saldo de 5). Volta suas atenções à Série B do Brasileiro e pena no estadual. Uma campanha pífia para quem renovou a alegria de sua torcida no ano passado. Fábio Júnior é artilheiro, Irênio é organizador, Flávio pega algumas bolas impossíveis mas a zaga patina demais. Consistência de posicionamento defensivo é o que falta para o Coelho não brigar somente contra o rebaixamento no torneio que realmente lhe interessa neste ano. No MG-10, teve o azar de encontrar o Atlético nas quartas.

 

 

Finalizando os que não carregam a vantagem de dois resultados iguais, o Ipatinga sofreu um empate terrível na última rodada da primeira fase e caiu da vice-liderança para o quinto lugar (21 pontos e 6 vitórias). Tem um elenco inchadíssimo e, consequentemente, com muitas peças de reposição do mesmo nível da equipe titular – o time é bem organizado. O Tigre é outra equipe que faz do estadual uma pré-temporada, pois almeja retornar à elite brasileira. Pode não classificar, tanto no Mineiro quanto na Série B, mas vai dar um trabalhão, tanto pro Tupi quanto pro Sport, Náutico, América...

 

 

A cidade de Juiz de Fora respira felicidade com o quarto lugar do Tupi (21 pontos e 7 vitórias). O Galo Carijó possui uma equipe bem montada e organizadíssima, contando ainda com a presença certeira do artilheiro Ademílson. Fará um duelo emocionante contra o Ipatinga. E tem a vantagem de decidir no seu terreno.

 

 

O Atlético alcançou o pódio com uma sonora goleada no último do campeonato: 6 x 0 com três de Diego Tardelli (será que ele retornou?). O terceiro lugar (22 pontos) retrata bem os altos e baixos do time no campeonato. Ganhou jogando mal, inclusive, e mostrou a velha força da camisa atleticana. Luxemburgo ainda não soube dar uma cara ao time, que sofre nas mãos de seus goleiros. Jairo Campos mostrou ser um zagueiro firme (recuperando a imagem das zagas atleticanas anteriores) e Obina conseguiu o que sempre consegue nos clubes que passa – casar-se com a torcida. O problema é que todos nós conhecemos Obina.

 

 

A vice-liderança ficou com o Democrata de Governador Valadares (23 pontos). A Pantera foi uma grata surpresa e seu técnico merece mais que elogios. Moacir Júnior mostrou como tirar água de pedra. E equipe jogou bonito contra o líder ontem (tudo bem que o time celeste atuou com os reservas, mas...). O Vale do Rio Doce agradece.

 

 

O Cruzeiro não fez como ano passado, quando conquistou o título atuando com o time misto quase que o campeonato inteiro. A tabela da Libertadores deu uma trégua e a Raposa pôs mais vezes a titularidade em campo neste Mineiro. E o primeiro lugar (24 pontos) foi garantido com certo sossego. A equipe perdeu peças importantes (como Fabrício e Fernandinho machucados) e contou com a decadência (tomara que provisória) de Marquinhos Paraná, Diego Renan e Gilberto (este, após a convocação de Dunga). Possui um ataque fulminante, só que precisa aliar velocidade com precisão. Nas quartas, treinará com o Uberaba.

 

 

Sendo assim, os jogos da próxima fase, mata-mata, serão: Cruzeiro x Uberaba (Cruzeiro inverteu o mando por causa da Libertadores), Villa Nova x Democrata, América x Atlético e Ipatinga x Tupi. Maus palpites são para Cruzeiro, Democrata, América e Tupi passarem para as semifinais. E os seus?

 



Escrito por Roberto Vieira às 21h31
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O FUTEBOL DE ARMANDO NOGUEIRA

               

 

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

 

Os três maiores cronistas do futebol brasileiro.

Agora batem bola na eternidade.

Primeiro se foi nosso Friedenreich:

Mário Filho.

Palavras e toques exatos, milimétricos.

Inventor do futebol fora das quatro linhas.

Depois partiu seu irmão, Nelson Rodrigues.

Garrincha de frases cortantes e desconcertantes.

Sempre driblando pela direita.

Até que a realidade mostrou-se surda.

Hoje se foi Armando Nogueira.

O menino de Xapuri.

Terra da borracha, da riqueza e da miséria.

Terra onde o menino corria atrás de uma bola.

Nos campinhos na beira do rio.

Armando que foi a síntese da poesia no futebol.

Armando que se deslumbrou com Heleno de Freitas.

Armando que fazia da pauta, latifúndio.

Armando que tal e qual Nilton era muitos sendo um só.

O futebol é jogado com os pés e feito de gols.

Mas se o futebol tem alma.

A alma do futebol está na sua poesia.

Poesia que brota das letras de quem ama o futebol-sonho.

Hoje a poesia do futebol está em silêncio.

E vai permanecer assim por algum tempo.

Pegando carona no também lendário Drummond.

Difícil não é escrever mil poesias como o Armando.

Difícil é escrever uma só poesia como Mestre Armando Nogueira.

 



Escrito por Roberto Vieira às 11h22
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QUIZ DO DIA

         

 

Qual o jogo?

 

Qual o torneio?



Escrito por Roberto Vieira às 10h26
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29 DE MARÇO DE 1968: NELSON

            

 

 

"É uma cova grande para tua carne pouca,

 

Mas a terra dada não se abre a boca..."

 

 

                    João Cabral de Mello Neto



Escrito por Roberto Vieira às 21h50
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COLUNA DO ARSENIO: O CASO NARDONI, O TRIBUNAL DO JÚRI E A FUNÇÃO DA DEFESA

       

 

 

Por ARSENIO MEIRA DE VASCONCELLOS JUNIOR

 

 

E o Júri, outrora o sonho de todo acadêmico de Direito e dos profissionais mais tarimbados, reviveu nessas últimas semanas com o julgamento do Casal Nardoni. Reviveu, pois com a banalização do crime, o Júri não mais atrai a atenção da coletividade como nos anos 40, 50, 60.

 

Porque o homicídio virou lugar-comum.

 

As guerras além-mar apresentam estatísticas pobres diante das tragédias diárias que espanam das grandes cidades brasileiras a palavra segurança ou esperança.

 

Mas todos sabem do caso em destaque.

 

Pai e madrasta foram condenados pelo Tribunal do Júri.

 

Recaiu-lhes sobre os ombros o édito punitivo pela morte de uma garota indefesa, uma criança.

 

Cinco anos e uma vida inteira pela frente ceifada brutalmente por quem devia lhe amparar.

 

Condenação: O pai recebeu a pena de 31 anos, um mês e dez dias, enquanto a madrasta foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão.

 

A acusação saiu vitoriosa. Aqui, um cumprimento solitário e imaginário ao Dr. Promotor de Justiça. Com o que ele tinha em mãos, venceu.

 

Não importa as palavras do Dr. Advogado de Defesa. Se a sociedade pré-julgou o casal, se a mídia prejudicou a defesa, que ele trate de avisar ao Casal que, se estivessem sendo julgados em outras plagas, seus clientes iriam direto pro Corredor. Corredor da Morte.

 

De mais a mais, as provas me pareceram tão robustas, que não precisava de mídia nenhuma para chegar a conclusão a que chegou o Júri.

 

A tese da promotoria: Homicídio triplamente qualificado: o meio empregado para matar a criança foi cruel (é pleonasmo, pois toda morte de uma criança será sempre por meio cruel); dificultaram a defesa da vítima (idem), e tentaram burlar a cena do crime para tripudiar ou dificultar a investigação, e assim esconder a autoria do homicídio.

 

Perdoem-me: para mim, ainda foi pouco. No mínimo, a prisão eterna. Mas deixem estar. Não ficarão – provavelmente – mais do que dez anos presos. Recursos ao Juízo competente (execução das penas), em momento oportuno, colocarão em breve esses dois condenados na rua.

 

Mas preciso me ater a um ponto que, desde o início desse caso, nós, advogados (mesmo que não atuemos na seara do Direito Penal), ouvimos diariamente em festas, reuniões e esquinas: "o advogado que defende esse casal é um criminoso"; "Se eu fosse advogado, não pegaria jamais um caso desses" e etc...

 

Não é assim.

 

Todo e qualquer acusado precisa ter um defensor. E que lute, se comprometa com a causa. Que respire a absolvição ou então, que adote a estratégia legal para minimizar os efeitos de uma condenação.

 

Saibam que se a defesa for falha ou insuficiente – ao menos em tese – pode o réu ser considerado indefeso. E aí, o julgamento será nulo.

 

Se o réu for pobre, cabe ao Estado patrocinar-lhe a defesa. Mas a realidade nos ensina que geralmente esse "patrocínio" significa uma defesa insuficiente; e mais uma derrota que pesa em nossas costas. Sim. Porque nós, no final das contas, pagamos a conta.

 

A ampla defesa é a base da nossa Constituição. Em seu artigo 5º, inciso XXXVIIII, a Lei Maior preconiza que "é reconhecida a Instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude da defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos vereditos (...)

 

Muitos advogados de renome alcançaram a glória por suas atuações em plenário do Júri. Naquela Tribuna, acusador e defensor tem grande visibilidade.

 

O inesquecível criminalista Evandro Lins e Silva reconheceu em sua autobiografia O SALÃO DOS PASSOS PERDIDOS que: "tudo o que fui devo àquela tribuna. Tudo. O que me deu renome, o que me deu notoriedade, me tornou conhecido? Foi a Tribuna do júri. O amor que tenho por ela é enorme, morro pensando no Júri."

 

Todos sabem as incumbências do Acusador.

 

Deve servir à sociedade, e embora seja raro, se o Promotor estiver convencido da improcedência da ação penal, pode até pedir a absolvição do réu.

 

Observem que empreguei o termo pedir. O promotor pede, requer. Ele pode até pedir, mas o Juiz ou os Juízes são soberanos. A soberania do Juízo é incontornável.

 

O defensor está obrigado a lutar pelos interesses de seu cliente, independentemente de suas convicções pessoais. Não pode apresentar teses conflitantes; não pode negligenciar os autos, não pode jogar dados com a vida do seu cliente... E não pode perder a cabeça no cotidiano, quando confundido com o criminoso que representa.

 

Todavia, como escrevi, embora criticado, os criminalistas lidam com as emoções mais fortes. Os crimes têm ressonância e, com isso, trazem uma glória – efêmera - para o advogado.

 

No que concerne ao estilo oratório mais adequado e eficiente no Tribunal do Júri, os grandes criminalistas entendem que, atualmente, vinga o orador que fale mais à inteligência e ao raciocínio dos jurados do que o orador melodramático, bombástico, retórico e vazio.

 

Todos conhecem a marca ou a pecha que, ao longo das décadas, a sociedade, o anedotário e a literatura criaram sobre a figura do advogado: bem falante, escroque, boa presença de espírito, com a vida ganha, bolso cheio graças aos gritantes honorários pagos pelas classes dirigentes, sempre alerta para abandonar a embarcação ou para mentir sem nenhum pudor.

 

Mas convém não esquecer a atuação dos advogados, principalmente durante os ignominiosos dias de arbítrio que muitos vivenciaram e sofreram: o golpe militar em 1964, o golpe fatal deflagrado pelo advento do AI-5, em dezembro de 1968.

 

Convém não esquecer que o advogado sentiu-se desamparado, sem qualquer meio para sua própria defesa, tão inseguro como seu próprio cliente.

 

Naqueles idos, não havia garantia para nada e para ninguém. Nesse período, nada lhe adiantaria consultar o livro, pois a violência era chancelada exatamente pela "lei", que promulgada às pressas, "nasceu" para justificar todos os atos de arbítrio da autoridade.

 

Convém não esquecer: Harry Berger e sua esposa, líderes da Intentona Comunista de 1935, que foram postos em condições desumanas, submetidos na prisão a torturas até ficarem loucos; convém lembrar a defesa produzida pelo mítico Heráclito Fontoura Sobral Pinto em favor deles, um defensor capaz de invocar a Lei de Proteção aos Animais, lutando sozinho, para livrá-los das sevícias impostas pela odiosa figura de Filinto Muller, capitão policialesco de Getúlio, um dos que ajudaram a deportar Olga Benário Prestes, grávida, judia, para a "aprazível" Alemanha de Adolf Hitler.

 

Sobral, católico fervoroso, defendendo comunistas que tinham vindo ao Brasil para impor uma Revolução.

 

E muitos outros advogados que resistiram, e defenderam seus clientes, e foram ameaçados, e amordaçados. Mesmo diante de Tribunais mudos, compostos por Juízes Carrascos, jamais deram um passo atrás.

 

À memória deles dedico este artigo.



Escrito por Roberto Vieira às 21h18
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O CAMPEONATO QUE AINDA NÃO COMEÇOU

                               

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

No antigo regulamento.

 

O Sport já seria pentacampeão estadual.

 

Mas como eu escrevi.

 

Pelo antigo regulamento.

 

Porque o Clássico de hoje deve ser lido nas entrelinhas.

 

O primeiro Clássico das Multidões de 2010.

 

Assistiu um massacre no Arruda.

 

Teve jogador tricolor pedindo pra o Sport botar o pé no freio.

 

Mas o Clássico de hoje foi diferente.

 

A distancia entre as equipes diminuiu.

 

Só não percebe quem tem olhar apaixonado.

 

O Sport ainda é melhor.

 

Tem mais entrosamento.

 

Eduardo Ramos faz a diferença.

 

Magrão nem se fala.

 

Porém o Santa Cruz - mesmo sem Jackson.

 

Pressionou e poderia ter empatado.

 

Volto a bater na velha tecla.

 

Numa semifinal.

 

Onde os detalhes definem o campeão.

 

Tudo pode acontecer.

 

O jogo de ontem do Náutico também serve de diapasão.

 

Um time caindo pelas tabelas.

 

Um pênalti perdido.

 

Uma virada inesperada.

 

Bispo, Nilson e Dinda brilhando.

 

Com nove homens em campo.

 

Não é nada, não é nada.

 

Tem quem ache que tudo continua na mesma.

 

Entretanto, o Blog repete.

 

O campeonato está aberto.

 

Por que?

 

Porque pelas regras do jogo.

 

O campeonato ainda não começou...

 



Escrito por Roberto Vieira às 18h27
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