Blog do Roberto


04/07/2009


O DIA DE ERASMO


        

            

 

 

Por ROBERTO VIEIRA

 

 

Taffarel já era o substituto de Gilmar na camisa um da seleção brasileira. Desde a década de 60, nenhum goleiro havia conseguido fazer esquecer o arqueiro santista bicampeão do mundo.

 

 

Porto Alegre teve um verão vermelho e branco.



Porém, o seu grito de guerra foi N-Á-U-T-I-C-O!



Até a chegada de Cláudio Taffarel.



Do outro lado estava Erasmo e o melhor ataque do Brasil. O Náutico precisando da vitória para se classificar a segunda fase do Brasileiro, após virar espetacularmente sobre o galo mineiro quatro dias antes.



22 de outubro de 1989. Beira-Rio.



O Náutico alinha Mauri; Jorginho, Vavá, Freitas e Júnior; Gena, Erasmo e Léo (Lucio Surubim); Nivaldo (Aroldo), Bizu e Augusto.  O técnico era o mesmo Paulo Cesar Carpengiani que comandara o Internacional no título brasileiro de 75 ao lado de Falcão. O Internacional formou com Taffarel; Chiquinho, Nenê, Norton e Jaquet; Norberto, Luvanor (Edu), Marquinhos (Dacroce) e Zé Carlos; Nelson e Roberto Carlos. O técnico era Bráulio, meio campista dono do Internacional antes da chegada de Falcão.



Em um jogo no qual a vitória era obrigatória não havia tempo a perder. O Náutico avançou para cima do Internacional e Erasmo estava simplesmente impossível. Várias vezes ele venceu a marcação e deixou Bizu, Nivaldo e Augusto em condições de marcar. Uma, duas, três vezes Taffarel salvou. Quando de repente, numa brincadeira de Júnior, Chiquinho rouba a bola e quando já corria pra comemorar o gol, o Beira-Rio vê Mauri salvar espetacularmente.



O Rio Grande aprende que Pernambuco também tem goleiro bom, tchê!



O 0x0 não interessa, Paulo César dá uma bronca nas vestiárias. Se o time havia feito dois gols em três minutos no Atlético, ganhar do colorado era fácil. Oito minutos do segundo tempo. O sol brilha no Guaíba. Augusto domina a bola e se livra do marcador passando o pé sobre a bola. Toca pra Erasmo. Nas cadeiras Luís Fernando Veríssimo pressente o pior.



Erasmo domina cercado por dois. Dribla Norton. Entra na área. O minuano sopra no paralelo 30. Taffarel sai desesperado para fechar o ângulo. No segundo seguinte a bola desliza mansamente para as redes. A 3779 km de distancia o Bonzão sorri: 1x0!



O Internacional se desespera e parte para cima. Então aos 23 minutos o lance mais bonito daquele final de ano. Erasmo dribla um, dois, três, quatro, cinco adversários e chuta com Taffarel batido. A bola infiel passa tirando tinta da trave. O Internacional tenta atacar, porém não consegue. Todas as vezes que a bola cai nos pés de Erasmo é perigo de gol. Os deuses do futebol, entretanto, insistem no 1x0.

 

Escrito por Roberto Vieira às 12h39
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LADY ESTHER

            

 

 

                                             Por ROBERTO VIEIRA

 

Quadra central de Wimbledon.

4 de julho de 1959.

Uma brasileira chora compulsivamente.

A platéia aplaude em delírio...

 

 

15-0.

 

A bola suspira.

 

Nunca houve uma tenista como Esther.

 

30-0.

 

A bola toca a risca.

 

Darlene devolve mal.

 

Esther voleia.

 

40-0.

 

Ace?

 

Não.

 

O segundo saque é devolvido.

 

Darlene sobe até a rede.

 

Esther passa maravilhosamente.

 

Um triplo match point parece o céu.

 

Mas pode ser o inferno.

 

Principalmente quando se é sulamericana.

 

Enfrentando o tabu americano.

 

Em plena corte de Sua Majestade.

 

40-15.

 

Mas Maria Esther Bueno não era uma tenista comum.

 

Era genial.

 

A bola é colocada no fundo de quadra.

 

Darlene Hard está vencida.

 

Game. Set. Match and championship!”

 

 

A Duquesa de Kent oferece o troféu da prata para Esther.

 

Ou melhor:

 

Para Lady Maria Esther Bueno...

 

Escrito por Roberto Vieira às 12h37
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PRE JOGO SANTOS X SPORT: O TABU

        

 

 

O Santos é velho algoz do Leão em Brasileirão.

 

Em 24 partidas, nada menos que 12 vitórias.

 

Na primeira partida entre ambos havia Pelé.

 

E mais que Pelé, havia outro jogador:

 

Mazinho.

 

Tão bom era Mazinho.

 

O Santa Cruz não sossegou enquanto não foi busca-lo.

 

Tudo começou no dia 11 de agosto de 1971.

 

Os dois times com goleiros estrangeiros.

 

Goleiro brasileiro naquele tempo só Detinho e Leão.

 

O Sport com Perez, futuro treinador de goleiros na Ilha.

 

O Santos com Cejas.

 

O ataque rubro negro não metia medo em ninguém:

 

Copeu, César, Duda e Gijo.

 

O do Santos, pelo contrário.

 

Jáder, Mazinho, Pelé e Edu. 

 

O juiz Arnaldo César Coelho comandando o jogão.

 

Ilha abarrotada.

 

Fraga colou em Pelé.

 

Armando em Edu.

 

O 0 x 0 ia se segurando.

 

Quando aos 44' do primeiro tempo: Mazinho.

 

Santos 1 x 0.

 

O segundo tempo foi uma cópia do primeiro.

 

O Leão jogando bem. O 1 x 0 se segurando.

 

Aos 37' da etapa final: Mazinho (FOTO).

 

Santos 2 x 0.

 

Hoje é dia de começar a quebrar o tabu.

 

De nunca ter vencido na Vila.

 

Será?

Escrito por Roberto Vieira às 07h26
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03/07/2009


O DIA EM QUE O MARACANÃ CHOROU...*

         Por ROBERTO VIEIRA  

O estádio era concreto e vastidão. Um imenso disco erguido pela mão humana, escravizado sob sol e chuva da cidade maravilhosa. Condenado a não se mover, a não chutar uma bola, a não cabecear contra as redes adversárias. Condenado a ser apenas isso: Um monumento do homem ao seu amor maior.

 

O gigante monolítico, porém, falava. Pela boca de milhares e milhares de pessoas abandonadas dentro de si. Era um grito vindo das profundezas do passado, onde o medo e a paixão dominavam o ser humano. Um grito paleolítico. Um urro de desespero e êxtase religiosos, dedicados ao deus futebol.

 

Naquele domingo, o gigante acordou com o movimento de curiosos sentando nas arquibancadas. Mascando chicletes. Tomando sorvete. Cuspindo no chão o escarro da morte. Coisa mais curiosa é o ser humano em seu estado natural. Tinha até os meninos de sempre fingindo bater bola no vazio das gerais.

 

Mas quem era aquele homem entrando em campo? Não, mil vezes não! Ele não! O estádio fez menção de se retorcer em torno de si mesmo, entretanto foi impossível. Concreto não consegue ir muito longe.

 

O estádio teve de assistir tudo de novo.

 

Aquele time celeste subiu no túnel. Mais velho, mais gordo, mais careca. Gambeta, Andrade, Júlio Perez e ele... Varela. Impossível confundi-los. Nem que passassem mil anos ele esqueceria. Eram eles.

 

Mas como?

 

A raiva demorou alguns segundos. Até que do outro lado. Seria possível?

 

O Barbosa. Quanta saudade do Barbosa!

 

O Alfredo e o Eli. O Noronha. Friaça, Ademir, Zizinho, Jair, Chico.

 

O estádio quase se belisca pra ver se sonhava.

 

Uma revanche. A chance de reescrever a história. De devolver ao verdugo, a chaga. O WM.

 

O Brasil com a bola nos pés. Os uruguaios correndo. Era visível a melhor forma física dos platinos. O que não impediu o Brasil de ameaçar o gol uruguaio desde o primeiro minuto com Friaça e Telê Santana. Dequinha e Jair da Rosa Pinto colocavam Obdúlio no bolso. Dois minutos depois, Ademir acerta a trave do arqueiro Maldano.

 

Frio.

 

Gambetta entra cara a cara com Barbosa e chuta. O estádio fecha os olhos. Quando abre, o goleiro brasileiro está sorrindo com a bola nas mãos.

 

Dezesseis minutos. Dequinha encontra Jair. Jair faz um lançamento de trinta metros, preciso. Nos pés do Queixada. Ademir domina, dribla Tejera e chuta. O estádio tenta pular e não consegue. A bola balança as redes de Maldano: Brasil 1 x 0.

 

Jair Rosa Pinto é o dono do meio campo.

 

O estádio sofre. Já viu essa história antes. O Brasil vencendo. O Uruguai lutando. Contra ataque. O segundo tempo se prolonga por duzentos anos. Cada bola cruzando a área de Barbosa é uma eternidade. Nilton Santos rouba a bola de Moran. Chico divide com Andrade.

 

Barbosa defende milhares de bolas. Milhares de vezes. Milhares de dias se passaram desde 1950.

 

O jogo está para acabar. A bola chega aos pés de Telê Santana. O fio da esperança erra a conclusão, não importa. O Brasil venceu o Uruguai. O Brasil venceu o Uruguai.

 

O Brasil venceu o Uruguai.

 

Os jogadores e o público vão embora. Fecham-se as portas do estádio. A noite cai sobre o Rio de Janeiro.

 

A estrutura de concreto dorme, enfim, em paz.

 

Nos olhos imaginários do Maracanã, uma lágrima.

 

Singela.

 

1 x 0.

 

A lembrança do dia em que o Maracanã chorou...

 

 

*No dia 4 de julho de 1965, Brasil e Uruguai disputaram uma partida beneficente no Maracanã com os jogadores de 1950...  

Escrito por Roberto Vieira às 20h54
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II TORNEIO SHERLOCK: UMAZINHA SÓ!

            

 

Simples:

 

1. Qual o jogo da foto?

 

2. Qual o lance em destaque?

 

3. Quais os personagens da primeira foto?

 

Incluindo o juiz?

 

4. O que acontece com os jogadores na imagem em detalhe no ano seguinte?

 

Boa sorte!

 

PS: A de ontem continua rolando...

Escrito por Roberto Vieira às 19h39
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3 DE JULHO DE 1974: BYE BYE BRASIL

       

 

 

Não foi um grande jogo de futebol.

 

Foi uma grande batalha.

 

Disputada violentamente entre duas épocas.

 

O passado e o quase futuro.

 

- A Alemanha deve dois títulos mundiais ao Brasil.

 

O primeiro em 54, quando nos digladiamos com os húngaros.

 

O segundo em 74, nesta batalha campal.

 

O jogo teve dez minutos de domínio holandês.

 

Com uma defesa antológica de Emerson Leão (FOTO).

 

Aí, o venerável juiz alemão Tschencher.

 

- Curioso ter sido um árbitro alemão, não?

 

Como curioso foi ter sido um austríaco.

 

Na disputa entre Alemanha e Polônia no outro grupo.

 

Quando o juiz alemão lembrou:

 

- Eita, morreu Péron!

 

E parou-se o jogo para um minuto de silêncio pelo coronel argentino.

 

O silêncio acalmou os holandeses.

 

O Brasil teve três chances de gol.

 

Mas Zagalo não era o único dono do 13.

 

E Neeskens, o número 13 da Holanda.

 

Marcou 1 x 0.

 

E Cruijff decretou o 2 x 0.

 

Ainda teve mais pancada.

 

Resenbrink se contundiu sozinho.

 

De Jong entrou no seu lugar.

 

Luís Pereira deu uma de machão.

 

Chico Buarque assistiu entre doses de uísque.

 

Compondo em homenagem:

 

Bye Bye Brasil...

 

 

          

                                 Chico e Bob

Escrito por Roberto Vieira às 19h28
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LOTERIA ESPORTIVA 009

Boa sorte!

 

E vamos ver Deus por quem é!

 

1. CSA x Santa Cruz

2. Central x Sergipe

3. Santos x Sport

4. Náutico x Internacional

5. Santo André x Barueri

6. Flamengo x Vitória

7. Coritiba x São Paulo

8. Grêmio x Atlético-PR

9. Goiás x Cruzeiro

10. Atlético-MG x Botafogo

11. Avaí x Palmeiras

12. Campinense x América-RN

13. Fortaleza x Ceará

Escrito por Roberto Vieira às 19h07
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RICARDO MALTA E COLEGIADO

 

Retirado do Blog do Torcedor.

 

 

Carta enviada por Ricardo Malta.

 

 

Em apoio ao presidente alvirrubro Maurício Cardoso. 

 

"Gostaria neste momento, quando algumas pessoa estão criticando o presidente do Náutico, Mauricio Cardoso, esclarecer a minha posição sobre este assunto:

 

Em primeiro lugar, gostaria de dizer a que o presidente tem ajudado o Centro de Treinamento na maneira do possível. Para ser ter uma ideia, além dos R$ 5.000,00, que são repassados mensalmente desde o começo do ano, o presidente repassou, no ano passado, a quantia de R$ 112.000,00.

 

Além disso, foram pagos pelo executivo vários caminhões de areia e a folha de pagamento do CT. Então, por uma questão de justiça, tenho a obrigação de atribuir o sucesso do CT também ao senhor Mauricio Cardoso, que, quando  pode, tem nos ajudado. Por outro lado, o considero uma pessoa honesta e quem tem muito trabalho prestado nosso clube.

 

Tenho certeza que erros existem, mas isto é normal em qualquer administração. É normal para quem está ali com o intuito de acertar, mas que, às vezes, é infeliz nas suas decisões. Muitas pessoas que hoje criticam talvez  não tenham nem coragem para um dia assumir um cargo de tanta responsabilidade. Criticar é muito fácil. Difícil é assumir responsabilidades, compromissos,esquecer família e trabalho.

 

Por tudo isto, venho através deste comunicado deixar a minha posição de apoio ao atual presidente, discordando deste movimento que esta acontecendo contra o mesmo. A hora é de apoio em todos os sentidos.

 

Náutico acima de todo!

 

Atenciosamente,

 

Ricardo Malta"

 

Outra matéria, também do Blog do Torcedor.

 

Anuncia o novo colegiado alvirrubro.

 

Responsável pelo futebol.

 

Eis os nomes:

 

Eduardo Moraes, Armando Ribeiro, Carlos Hunka Hélio Monteiro, Ricardo Valois, Renato Cunha Lima, Paulo Germano, Francisco Hinrishen, Sérgio Lins, Gustavo Rêgo, João Guerra, Antônio Amante, Fred Oliveira, Américo Pereira, André Campos e o próprio presidente.

Escrito por Roberto Vieira às 18h54
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AINDA SOBRE O LIVRO...

 

Duas notícias curtas, e legais.

 

O livro tem uma resenha no Blog Estilo de Jogo.

 

Blog do comunicador esportivo Luiz Carlos de Almeida.

 

Blog dedicado aos livros sobre futebol.

 

O endereço está aí do lado.

 

Nos sites recomendados.

 

E sábado, no Loucos por Futebol da ESPN.

 

A turma vai dar um toque sobre o livro:

 

'O Clássico dos Clássicos - 100 anos de História'.

 

Para alegria de nosotros.

 

E felicidade geral da nação...

 

Saravá!

 

 

             

Escrito por Roberto Vieira às 17h29
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SELEÇÃO DAS LETRAS: PONTA ESQUERDA

                    X  

 

 

A penúltima escolha.

 

O bruxo ou aleph?

 

Expressões máximas da literatura de seus países.

 

Machado e Borges valem um Brasil x Argentina.

 

Um Brasil x Argentina do passado.

 

Quando os dois países queriam ser a Inglaterra.

 

Inclusive na pena dos seus dois maiores escritores.

 

OK?

 

Você vai de Brás Cubas?

 

Ou de Pierre Menard?

 

Escrito por Roberto Vieira às 16h29
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O CONVITE

 

Como a quantidade é limitada.

 

Como vai ser item de colecionador.

 

Como faz parte do livro.

 

Guardei um número de convites para os amigos do Blog.

 

Breve direi como vocês podem pegar os convites.

 

Uma novidade.

 

O publicitário Roberto Varela.

 

Solicitou-me um texto para confecção de uma camisa alvirrubra.

 

Alusiva ao evento.

 

Enviei o texto.

 

Aliás, texto mais óbvio impossível.

 

Estão sendo confeccionadas mil camisas.

 

Espero que gostem...

 

Escrito por Roberto Vieira às 11h27
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O VALE DOS MORTOS

 

 

 

                                                  POR ROBERTO VIEIRA

 


O Emir mandou convocar o carrasco. Imediatamente. Muitos documentos esperavam a sua apreciação, mas um fato como aquele ultrapassava a sua compreensão. E fatos como aquele eram perigosos. As pessoas deviam saber que a justiça existia para ser cumprida.


Pouco depois entrou no Grande Salão a figura do carrasco. Era um homem simples, vestido com trajes modestos. Não trazia no rosto aquele semblante que normalmente se associa aos carrascos. Na verdade, se não fosse anunciado o seu ofício ninguém no Grande Salão ousaria adivinhar sua profissão.


O Emir não perdeu tempo. Foi logo indagando ao serviçal:


- Como ousas não cumprir com tuas obrigações?


- Meu nobre senhor, não é este o caso. Cumpri minhas obrigações durante vinte anos. Decepei cabeças conforme me foi ensinado. Aos milhares. Sempre fui fiel ao senhor. Qualquer um dos serviçais do palácio pode confirmar minhas palavras.


- Sei bem disso. Fosse outro e já estaria apodrecendo nas masmorras. Devido ao teu passado foste chamado à minha presença. Responde, pois. Como ousas não cumprir tuas obrigações?


- Já não posso meu nobre senhor.


- Por quê? Deve haver uma explicação!


- Decerto, senhor. Tudo começou com o valor da vida...


- Valor da vida? Que loucura é essa? E tem algum valor a vida de um ladrão?


O carrasco olhou bem nos olhos no Emir. Ainda estava vivo na sua presença. Era uma prova de quanto o estimava o Comandante. Mas não podia recuar.


- Ontem quando executava uma sentença, eu não pude deixar de pensar. O Emir sabe que na minha profissão é proibido pensar. Existe o certo e o errado. Existe a lei. A sentença do Emir deve ser cumprida. O Emir pensa por todos nós.


- Sim, e daí?


- Foi então que ousei pensar.


- E o que você pensou carrasco?


- Senhor, eu pensei com minha fiel adaga que algo estava errado nos meus atos. Eu não posso mais cumprir as tuas sentenças. Passei a noite refletindo sobre esses anos. E soube, desde aquele momento que estava me condenando. Mas o meu senhor deve saber. O que pode um homem contra uma verdade que se agasalha no seu coração? Nada pode. O homem só tem duas alternativas: Ou segue o seu coração, ou se torna um infiel.


- Qual foi o pensamento que transtornou teu coração?


- O nobre Emir é sábio. Diria que é justo na maioria das sentenças. Não se deixa levar pela emoção. Decide amparado na Lei. Mas existe uma lei que o Emir não pode cumprir, pois lhe falta poder sobre tal.


O Emir fechou os punhos. Gostava do carrasco. Era um homem bom. Mas estava indo longe demais.


- Em que me falta poder nessa terra, carrasco? Eu posso tudo!


- Não, senhor. Lamento lhe informar que o nobre senhor não pode tudo.


- E o que eu não posso, carrasco? O que eu não posso?


- Senhor! Estás vendo aquelas montanhas?


E o Emir olhou na distância as colinas do Vale da Morte. Onde eram enterradas as vítimas do carrasco.


- Pois bem meu nobre senhor. Se for verdade que tudo podes, dizei uma palavra e ressuscita um só daqueles que estão adormecidos no Vale da Morte. Um só. Se um só daqueles homens tornar à vida, também eu retornarei ao meu ofício.


Olhando na distância o Emir ficou em silêncio. Grande era o seu poder. Mas tal poder residia em prender, em matar.


O poder de criar a vida do nada não lhe era permitido.


Um dia ele também iria repousar no Vale da Morte. Ele e o carrasco. Lado a lado. Iguais.


Nunca mais houve sentenças de morte no Reino do Emir.


O carrasco foi convidado para ser um dos seus conselheiros.


E o valor da vida humana permanece desconhecido. Mesmo quando os tribunais insistem em estimar o inestimável.


O homem pode roubá-la.


Mas apenas Allah, misericordioso e justo, pode criá-la do Vale da Morte.

Escrito por Roberto Vieira às 05h19
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A FREGUESIA DA HORA

 

Internacional e Grêmio perderam da mesma forma.

 

Siameses.

 

Ano que vem estão de volta.

 

Siameses.

 

Fosse uma derrota dessas entre nós?

 

O mundo desabava.

 

Fregueses.

 

E olha que o Grêmio em 42 anos.

 

Nunca ganhou um mata-mata do Cruzeiro.

 

Freguês maior não há...

 

Resumindo:

 

No futebol e na vida.

 

Todo mundo é freguês de alguém.

 

Trabalhar muito e jogar bola com inteligência.

 

Não fazem mal a ninguém...

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 05h13
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02/07/2009


II TORNEIO SHERLOCK: É UMA BRASA, MORA!

Hoje é pouca coisa...

 

1.

 

Quem são os craques?

 

O que têm em comum?

 

 

3.

 

Quem são os personagens?

 

O que têm em comum?

Escrito por Roberto Vieira às 21h12
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E AGORA, JOSÉ?*

                         

 

*Por ROBERTO VIEIRA sobre poema de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE 

 

 

"E agora, José?
A reza acabou,
a presidência dançou,
o povo sumiu,
o escândalo esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que tem nome,
que zomba dos outros,
você que excomunga,
cala quem protesta,
e agora, José?



Está sem respeito,
está sem discurso,
está sem destino,
já não pode benzer,
já não pode empregar,
iludir já não pode,
a verba esgotou,
o milagre não veio,
o aplauso não veio,
o jetom não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?



E agora, José?
Sua negra casaca,
seu instante de santo,
sua imortalidade,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,



seu terno de oligarca, sua incoerência,
seu trono - e agora?



Com a caneta na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no Maranhão,
mas o Maranhão secou;
quer ir para Roma,
João Paulo não há mais.
José, e agora?



Se você confessasse,
se você se arrependesse,
se você tentasse
ser igual a toda gente,
se você dormisse,
se você sonhasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é eterno, José!



Sozinho entre os muros
príncipe em seu palácio,
só teologia,
sem verdade nua
para se perdoar,
você é o dono do mar
que fugiu a galope,
você foge, José!
José, pra onde?" 

 

Escrito por Roberto Vieira às 17h17
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O TABU DO MATA-MATA

                     

 

 

                                                                    Por ROBERTO VIEIRA

 

 

O Cruzeiro derrota o Americano de Campos.

O Grêmio passa pelo Ferroviário do Paraná.

Ambos decidem a zona sul da Taça Brasil 1966.

O vencedor enfrentará o Fluminense nas semifinais.

O primeiro jogo do mata-mata é marcado para Porto Alegre.

No dia 9 de outubro no Estádio Olímpico.

O Grêmio entrou em campo com Arlindo; Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Vieira, Joãozinho, Alcindo e Volmir.

O Cruzeiro alinhou seu maior time de todos os tempos com Raul; Pedro Paulo, William, Cláudio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira.

Arbitragem de Armando Marques.

As duas equipes dominavam os respectivos estaduais.

As duas equipes tinham no ataque jogadores que atuaram na Copa do Mundo de 1966.

Alcindo pelo tricolor gaucho. Tostão pela Raposa.

Apesar dos atacantes, o jogo ficou no 0 x 0.

O Cruzeiro venceu a segunda partida em Minas por 2 x 1.

Cruzeiro que seguiu em frente até conquistar a Taça Brasil contra o Santos.

Ninguém sabia.

Mas naquele jogo no Olímpico nascia o tabu do mata-mata.

Em quarenta e dois anos.

O Cruzeiro nunca perdeu um mata-mata contra o Grêmio.

Mineiros vencedores na final da Copa Brasil de 1993.

E nas quartas-de-final da Libertadores de 1997.

 

Escrito por Roberto Vieira às 16h24
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A PELADA RACISTA

                          

 

                                                          Por ROBERTO VIEIRA

 

 

Dois de julho de 1969.

 

Primeiro treino da seleção de João Saldanha.

 

Uma turma vai jogar vôlei.

 

A maioria prefere um racha na quadra.

 

 “Casados x Solteiros?”

 

“Paulistas x Cariocas?”

 

Que nada!

 

“Branco x Preto!”

 

Pelé foi pro gol. Defendeu até pensamento.

 

Os pretos marcaram 4 x 0.

 

Gols de Joel (2), Everaldo e Dirceu Lopes.

 

Foi quando Rivelino lembrou os tempos no futebol de salão.

 

E marcou seis gols em Pelé.

 

O último com uma patada atômica fazendo o Rei se abaixar.

 

O Rei botou Edu no gol e foi pra linha.

 

Inútil.

 

O jogo terminou Brancos 12 x 6 Pretos.

 

Uma revanche foi concedida.

 

Vencida novamente pelos brancos: 8 x 6.

 

Os jornais publicaram a notícia da tal ‘pelada racista’.

 

Pelada impossível nos dias atuais.

 

Politicamente corretos...

 

Escrito por Roberto Vieira às 14h15
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01/07/2009


O FLA-FLU DO ARSENIO

          

 

 

 

               Por ARSENIO MEIRA DE VASCONCELLOS JÚNIOR*

 

 

Meu avô, José Lourenço Meira de Vasconcellos, foi presidente do Sport no ano de 1949. Seu mandato foi de um ano. Por ocasião do primeiro Fla x  Flu realizado fora do Rio de Janeiro, na Ilha do Retiro, em julho de 1947, ele era Conselheiro e um dos diretores do Sport, sendo quem idealizou esse jogo. 

 

Conversei com meu pai e vou lhes contar uma história com exclusividade. Aliás, não só a vocês, mas a todos os amigos do Blog do Roberto, palco que freqüento, onde fiz amigos e aprendi, num curto espaço de tempo, lições para toda vida.               
 
Disse-me meu pai que a idéia inicial era realização de um quadrangular entre Sport, Náutico ou Santa Cruz, com a presença dos dois convidados ilustres: Flamengo e Fluminense. É que naqueles idos eram comuns torneios desse naipe. E o Brasil estava prestes a sediar sua primeira Copa do mundo. Meu avô pensava na importância que um evento desses teria em nossos domínios.           
 
Essa idéia não vingou  por culpa da Presidência Executiva do próprio Sport. Depois que o Presidente do Sport desistiu, o Presidente do Náutico (salvo engano Netto Campello) e o Presidente do Santa Cruz também não levaram a idéia pra frente. Mas meu avô bateu o pé e assumiu sozinho a integral responsabilidade (leia-se bancar todo o evento e etc.)  pela realização do Jogo. (Imagino minha saudosa avó na iminência de ganhar os primeiros cabelos brancos...)         
 
Quem ajudou meu avô no sentido de contatar e interagir com os Representantes da imprensa e os Presidentes dos clubes cariocas foi Haroldo Praça, pai do atual mandatário do clube da Praça da Bandeira, Silvio Guimarães. Ele, Haroldo Praça, foi primordial na organização do evento, uma vez que o próprio Sport abandonou o projeto em seu nascedouro. Tanto é que, nessa época, Haroldo Praça casou e meu avô o presenteou com toda a mobília da sua sala de jantar.
 
No dia do jogo, ao rumar para a Ilha do Retiro com toda a família - meu avô morava em Boa Viagem - eis que todos se alarmaram: o tempo estava nublado. Fortes prenúncios de temporal. Ao atravessar a ponte, o céu desanuviou e - contou-me meu pai num telefonema emocionado - que o alívio do meu avô foi tão intenso quanto se pode imaginar.                
 
O evento foi um sucesso, como vocês bem sabem, Lucídio e Roberto. Marcou a nossa história. Todas as despesas financeiras bancadas a muito custo pelo meu avô José Lourenço (homem de classe média) foram suportadas e ainda houve um grande lucro. Minha avó respirou tranquila. 
 

Com os bolsos cheios, após contabilização da receita e das despesas (as despesas foram estratosféricas: o risco era imenso...), eis que meu avô apurou um grande lucro. Esse dinheiro foi doado pelo meu avô, cédula por cédula, para o Sport Club do Recife. Nem um vintém ficou com ele, contou-me meu pai, pois do meu avô nunca ouvi uma palavra. Para ele, isso era tão natural quanto beber um copo d´água.   
 
Meu pai lembrou que Zizinho do Flamengo - a grande estrela do futebol brasileiro - não pôde jogar por estar machucado. Mesmo assim, esse jogo foi o grande acontecimento aqui no estado, todos se mobilizaram em função do jogo.


Espero ter ajudado, e aproveito o ensejo para dizer – lhes o seguinte: enquanto falava com meu Pai ao telefone sobre esses fatos, notei prontamente que ele se emocionou, afinal ele e meu avô eram extremamente ligados um ao outro.  

Ao terminar estas linhas, experimento a mesma emoção. Que não possui camisa, nem cor, nem apego clubístico. É universal. 

 

* Arsenio vem a ser o nosso grande amigo... João Rubro Negro!

Escrito por Roberto Vieira às 21h28
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NILMAR E DADÁ

                   

 

 

O Corinthians é o campeão da Copa do Brasil.

 

Fácil.

 

O Internacional foi uma brisa de verão.

 

Oito gols aqui.

 

Seis ali.

 

E na hora do vamos ver...

 

Internacional que fazia lembrar os anos 70.

 

Pois é.

 

Mas o Inter de hoje está muito longe daquele Inter famoso.

 

Quer um exemplo?

 

Dario e Nilmar.

 

Nilmar é simpático.

 

Sabe driblar.

 

Marca gols bonitos.

 

É um cara que sabe usar os talheres na mesa.

 

Dario era o contrário.

 

Ex-marginal.

 

Erguia postes nas ruas.

 

Passou fome na infância.

 

Desconhecia o que era um drible.

 

Só sabia fazer uma coisa na vida:

 

Gols.

 

Pois é, meus amigos.

 

Eu podia escrever sobre Figueroa e Falcão.

 

Porém, basta escrever sobre Nilmar e Dadá.

 

O Corinthians que não tem nada a ver com isso é campeão.

 

Corinthians do técnico Mano Menezes.

 

Aquele que não inventa.

 

Escala quem arrebenta....

 

PS: Estou escrevendo no intervalo do primeiro para o segundo tempo. Se o Inter virar, eu mudo o texto...

 

Escrito por Roberto Vieira às 19h49
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II TORNEIO SHERLOCK: POUCAS E BOAS

Pra relaxar...

 

 

1.

 

Qual o jogo?

 

Quem é este jogador que sofre o pênalti?

 

Foi gol?

 

 

2.  

 

Quem é o vovô e o galã?

 

 

3.

 

Quem é o craque do Santa Cruz?

 

 

4.

 

Quem é o zagueirão?

 

 

5.

 

Quem é o craque faminto?

 

 

6.

 

Quem foi o artilheiro desta seleção?

 

 

OK?

 

Boa sorte!

Escrito por Roberto Vieira às 19h48
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SELEÇÃO DAS LETRAS: CENTROAVANTE

                   

 

Lorca era um compositor extraordinário.

 

Bandeira era amigo do Rei.

 

Lorca morreu nas mãos de um ditador cruel.

 

Bodas de Sangue.

 

Acreditem:

 

Bandeira arranhava Chopin e Bach no violão.

 

Rua da União.

 

Um deputado católico disse de Lorca:

 

"É mais perigoso com uma caneta do que outros com um revólver!"

 

Bandeira?

 

Queria apenas a estrela da manhã...

 

Então?

 

Quem é o nosso centroavante?

 

Bandeira ou Lorca?

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 18h02
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A CAPA DO CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

 

Com direito a duas capas.

 

Eis o trabalho do publicitário Roberto Varela.

 

Para o livro 'O Clássico dos Clássicos - 100 anos de História'.

 

Um livro pra ser guardado com carinho.

 

Lembrança do primeiro centenário do Clássico dos Clássicos.

 

Escrito por Roberto Vieira às 14h16
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VOCÊ COMPRARIA ESTA CAMISA?

 

A oposição alvirrubra está vendendo esta camisa.

 

Valor?

 

Doze reais.

 

Renda revertida para o CT.

 

A primeira pergunta é simples:

 

Você compraria esta camisa?

 

A segunda é mais complexa:

 

Os resultados de um time de futebol.

 

São suficientes para qualificar ou desqualificar toda a gestão de um clube?

 

Sim ou não?

 

Escrito por Roberto Vieira às 12h40
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INTERNACIONAL X CORINTHIANS: LULA, VIETNÃ E PASÁRGADA

                     

 

 

Eram tempos de chumbo.

 

Contra e a favor.

 

O capitão americano Charles Chandler sai de casa.

 

Chandler que terminava dois anos de estudos na USP.

 

O americano é alvejado por uma rajada de metralhadora.

 

Seu corpo tomba com catorze perfurações.

 

Do lado do corpo, um bilhete:

 

"Justiça revolucionária executa criminosos do Vietnã'.

 

Na Academia Brasileira de Letras, silêncio.

 

Descansa o corpo do poeta pernambucano Manuel Bandeira.

 

Nos jornais, as fotos dos dois mortos:

 

Chandler e Bandeira.

 

Vietnã e Pasárgada.

 

Em Porto Alegre, futebol.

 

O Internacional domina completamente o Corinthians.

 

Mas não marca.

 

Até que Thales aos 5' do segundo tempo vai lá e comemora:

 

Timão 1 x 0.

 

O Colorado ataca, ataca, ataca.

 

Mas no gol do Corinthians está uma lenda.

 

Frio.

 

Preciso.

 

Intransponível.

 

Lula Monstrinho garante a vitória paulista.

 

13 de outubro de 1968 foi assim.

 

Um dia de Lula, Vietnã e Pasárgada...

 

 

                

                               Chandler e Bandeira                 

 

 

PS: E nesse dia, o Timbu ganhou do Bangu em Recife.

 

 

 

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 11h17
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30/06/2009


O GÊNESIS DO FUTEBOL

       

                              Ladislav Petras, 1970

 

 

                                      Por ROBERTO VIEIRA

 

 

No princípio foram criados o céu e a terra.

 

A terra era sem forma e vazia. Não havia campos de futebol.

 

E criou-se o primeiro homem.

 

E disse o primeiro homem: Haja bola; E houve bola.

 

De meia, bexiga ou papel.

 

Viu o homem que a bola era boa.

 

No segundo dia, a bola caiu entre duas árvores da vida.

 

O homem gritou: ‘Gol’.

 

E viu o homem que o gol era bom.

 

No terceiro dia, o jogo foi ficando chato.

 

Macacos e tigres não sabiam jogar.

 

Das costelas do homem formou-se um time.

 

E viu o homem que o time era bom.

 

No quarto dia, o time procurou um adversário.

 

Porque jogar contra ninguém era muito chato.

 

A serpente falou que provando do fruto da árvore proibida.

 

Dava pra arranjar outro time.

 

Fora das fronteiras do Jardim do Éden.

 

O time inteiro provou da fruta.

 

E foi ganhar o sustento com o suor dos noventa minutos de bola rolando.

 

No quinto dia, a cobra virou cartola.

 

Botou todo mundo de contrato assinado e cabelo cortado.

 

O time achou melhor não abrir o bico.

 

Porque sem cartola a vida era difícil.

 

Como todo mundo estava sem camisa e envergonhado.

 

Criou-se o uniforme do patrocinador.

 

No sexto dia, um jogador tcheco* teve uma idéia.

 

Ajoelhou-se no campo quando fez um gol.

 

Agradecendo o milagre da multiplicação dos gols nas redes.

 

Sonhando em voltar ao paraíso perdido.

 

Para as peladas de infância.

 

Para o tempo das bolas de meia.

 

Mas era tarde demais.

 

 

* Ladislav Petras sempre foi um jogador extraordinário em meu imaginário. Ousar fazer o sinal da cruz em uma Copa do Mundo, simbolizando a resistência da Igreja e do povo tcheco, apenas dois anos depois da Primavera de Praga, foi antológico. Lamentavelmente, seu gesto de profunda significação foi banalizado nos anos que se seguiram... Na época, os jornalistas brasileiros cobrindo a Copa ficaram sem palavras. Não é que comunista sabia rezar!  

 

Escrito por Roberto Vieira às 22h43
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ENQUETE: O INTERNACIONAL

 

Essa vem de longe.

 

Do Newton Pinheiro.

 

E aí?

 

É melhor pegar o Colorado?

 

Como campeão da Copa Brasil?

 

Ou sendo derrotado pelo Corinthians?

 

Você decide!

Escrito por Roberto Vieira às 20h56
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II TORNEIO SHERLOCK: EXTREMAMENTE FÁCIL

 

Joaquim mantém a folga.

 

Carlos Celso reage.

 

A disputa entra na reta final...

 

Pra todo mundo dormir cedo.

 

Tudo extremamente fácil:

 

 

1.

 

Qual o craque do Bahia?

 

 

2.

 

Qual o trio cerebral? Da esquerda pra direita?

 

Qual o time mitológico?

 

 

3.

 

Quais os quatro jogadores do Clássico dos Clássicos?

 

 

4.

 

Qual o jogo da foto?

 

Quem marca o gol?

 

 

5.

 

Qual o time da foto?

 

Foto de 1909.

 

O ano do primeiro Clássico dos Clássicos?

 

 

7.

 

Qual o jogo da foto?

 

Quem é o craque saltando?

 

Comemorando o quarto gol?

 

 

8.

 

Quem são estes donos do Arruda?

 

 

9.

 

Quem é este antigo reforço do futebol pernambucano?

 

Reforço que não reforçou ninguém?

 

 

10.

 

Qual o time da foto?

 

Com este ataque lendário?

 

 

11.  

 

Quem é o goleiro que deixou saudades?

 

Resposta: Nadinho, arqueiro do Bahia.

 

CLASSIFICAÇÃO APÓS ESTA RODADA

1. Joaquim Herbenio - 19,5

2. Carlos Henrique - 10,5

3. Carlos Celso Cordeiro - 7,0

4. Lucídio José de Oliveira- 6,0

5. João Rubro Negro - 4,5

6. Felipe Holder e Valdir Appel - 1,0

7. Houldine - 0,5

Escrito por Roberto Vieira às 20h43
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O BRASIL X PORTUGAL DE LOURENÇO MARQUES

        

                          Felix inaugura o Salazar

 

 

Já não existe Lourenço Marques. Hoje existe Maputo. Mas, no dia 30 de junho de 1968, Brasil e Portugal jogaram em Lourenço Marques. Um encontro de língua portuguesa na antiga colônia portuguesa de Moçambique.

 

Na França, De Gaulle derrotava a esquerda pós-maio. Porque era proibido proibir. De Gaulle que amava a França sobre todas as coisas, a ponto de libertar a Argélia. Faltava um De Gaulle no Brasil. Talvez porque o Brasil não era um país sério. Uma frase equivocadamente atribuída ao General francês. General com afazeres mais sérios a fazer do que sair por aí criando frases.

 

Mas o Brasil era um país sério no futebol e no samba. A derrota de 66 deveria ser devolvida. Caso de segurança nacional. Pois lá foram as feras jogarem na terra de Eusébio, na inauguração do Estadio Salazar.

 

Olha só o nome do estádio, meus amigos: Salazar.

 

Curiosidade. Pelé e Eusébio não deram as caras.

 

O Brasil tinha Felix; Carlos Alberto, Brito, Joel e Rildo; Gerson, Rivelino e Tostão; Natal, Jairzinho e Edu. Sete titulares de 70. Portugal vinha com Américo; Cruz, Armando, Zé Carlos e Hilário; Pavão, Pedras e Coluna; José Augusto, Jaime Graça e Perez. Perez que depois jogaria no Sport Clube Recife. Perez que trocou pontapés com Rivelino no final do primeiro tempo. Primeiro tempo terminado em 0 x 0, por causa de Felix, defendendo espetacularmente um pênalti cobrado por José Augusto.

 

No segundo tempo, pura malandragem. Falta na entrada da área. O goleiro Américo se distrai armando a barreira. E Rivelino toca por cobertura:

 

Brasil 1 x 0. 

 

No final da partida, o Papagaio aprontou. Portugal atacava. Gerson pegou a bola e fez um lançamento de quarenta metros. Nos pés de Natal. O cruzamento do ponta mineiro achou Jairzinho livre:

 

Brasil 2 x 0.

 

O país do futebol estava vingado.

 

Enquanto isso, no interior de Moçambique a FRELIMO atacava...

 

 

           

                            De Gaulle e Marta Vasconcelos

 

 

NOTA: O Estádio Salazar, orgulho dos ferroportuários moçambicanos.

 

Transformou-se no Estádio Machava, nome da região onde foi construído.

 

A construção teve início no dia 29 de junho de 1963.

 

A inauguração ocorreu exatos cinco anos depois, com as seleções de Brasil e Portugal em campo. 

 

Infelizmente, a Revolução e a Independência relegaram a obra ao descaso. 

 

Mudaram o nome do Estádio e o deixaram ao relento.

 

Pois é. Moçambique não merecia.

 

Nem Salazar.

 

Nem FRELIMO.

 

 

    

                 

 

 

 

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 19h26
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A BOMBA DE NENÊ

 

 

Ontem no Torneio Sherlock.

 

Uma das perguntas era sobre este lance.

 

Nenê do Santos chuta.

 

A bola vence o goleiro Valdir Appel e fura as redes do CEUB.

 

Olha aí, Carlos Henrique!

 

O Valdir mandou a foto pra você botar na sua coleção.

 

PS: Observem a cara do Rildo vendo a bola furando a rede. Depois ele foi costurar o estrago...

 

Escrito por Roberto Vieira às 17h54
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MENSAGEM DE ZICO

                                          

        

 

Como sempre Zico se revela um craque.

 

Ontem enviei mensagem informando o lançamento do livro:

 

'O Clássico dos Clássicos - 100 anos de História'

 

Acabei de receber a resposta do Galinho:

 

 

Roberto,

Parabéns pelo lancamento do livro e que seja uma grande festa do futebol pernambucano.

Sucesso e abs,  

Zico

 

 

Mal sabe Zico.

 

Que o exemplar dele já está guardado.

 

Desde o início dos tempos...

Escrito por Roberto Vieira às 13h57
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30 DE JUNHO DE 2002: "ONDE HÁ FUMAÇA..."

       

 

 

Alguns dias ficam guardados em nossos corações.

 

O dia 30 de junho é um deles.

 

Poucos torcedores podem ser bi e pentacampeões no mesmo dia.

 

Pois foi o que ocorreu naquele 30 de junho de 2002.

 

Um dia para entrar na história.

 

Quem é brasileiro e ama o futebol não dormiu.

 

Ficou pensando: Como seria a final contra os alemães de Oliver Kahn?

 

O paredão germânico.

 

Quem sabe Ronaldo faria um gol?

 

Quem sabe?

 

Ballack estava de fora. Jeremies estava de volta.

 

Os adversários perdiam em criatividade e ganhavam em marcação.

 

O Brasil entrou com Marcos; Lúcio, Edmilson e Roque Júnior;

 

Cafu, Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos;

 

Rivaldo e Ronaldo.

 

Técnico?

 

Luís Felipe Scolari.

 

Uma equipe que se arrastou nas Eliminatórias.

 

Uma equipe vencendo tudo e todos na Copa do Mundo.

 

O resto da história eu não preciso repetir:

 

Dois gols de Ronaldo.

 

Brasil pentacampeão mundial!

 

 

 

 

Peraí!

 

E o bi?

 

Pois é.

 

Quem é torcedor do Náutico comemorou o título da seleção.

 

Mas logo depois tirou a camisa verde e amarela.

 

Tascou o manto vermelho e branco no corpo.

 

Havia uma outra decisão naquele 30 de junho.

 

Uma decisão muito mais difícil para nosso coração.

 

Ser bicampeão no Arruda após dezessete anos.

 

Ironia do destino.

 

O troféu em disputa tinha o nome de Marco Maciel.

 

Um histórico torcedor tricolor.

 

O Náutico levava vantagem.

 

Havia ganho o jogo anterior nos Aflitos por 3 x 0.  

 

Podia perder por dois gols de diferença.

 

Náutico que alinhou Gilberto; Paulinho (Carlinhos), Marcelo Fernandes, Sílvio e Edu Silva;

 

Fábio, Sangaletti, Tupã (Remerson) e Fabinho;

 

Kuki e Ludemar (Fumaça). 

 

Náutico que começou perdendo aos 9' quando Mauro César cruzou.

 

E Júnior Amorim cumprimentou.

 

Santa Cruz 1 x 0.

 

Tudo bem. Ainda estava sob controle.

 

Mas aos 45' Sílvio afasta mal.

 

Rincón acerta um pelotaço.

 

A bola sobra para Júnior Amorim: Santa 2 x 0.

 

O intervalo é tenso.

 

Sai Tupã e entra o zagueiro Remerson.

 

A torcida acha que o técnico está doido.

 

Mas a torcida confia cegamente neste técnico.

 

E fica calada. Esperando.

 

Foi quando o Santa troca Rincón por Roberto Santos.

 

Foi quando o técnico alvirrubro saca Ludemar e lança Fumaça.

 

Eram decorridos 26' da segunda etapa.

 

Dez minutos depois, Kuki puxa um contra ataque.

 

Kuki olha de soslaio e encontra Fumaça.

 

A bola chega nos pés de João Luís Silveira.

 

24 anos. 66Kg. 1m72 de altura.

 

Fumaça livra-se de Humberto e chuta forte no canto esquerdo de Nilson.

 

Náutico 1 x 2 Santa Cruz.

 

O Náutico era bicampeão pernambucano de 2002.

 

No banco de reservas, um técnico torcedor sorria e gritava.

 

Era o Conselheiro Muricy Ramalho.

 

O homem que confiou naquele velho provérbio:

 

"Onde há Fumaça, há fogo!" 

 

 

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 13h34
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A SINFONIA DO FUTEBOL: LATERAL DIREITO

 

LATERAL DIREITO: JOSEPH HAYDN 

 

 

Aos seis anos, Joseph Haydn foi bater bola longe dos pais.

 

Nunca mais voltou.

 

Uma infância repleta de privações.

 

Onde a única alegria era o cravo, o canto e uma bola de futebol.

 

Lateral clássico com pitadas de moderno.

 

Avançava quando necessário.

 

Fazendo overlapping com o amigo Mozart.

 

Com Haydn, faleceu aquele compositor barroco.

 

Cheio de salamaleques e visão defensiva.

 

Com Haydn, nasceu o quarteto mágico.

 

A sinfonia do futebol.

 

Haydn foi aquele menino pobre. Faminto.

 

O qual começa jogando bola descalço na favela.

 

E acaba doutor de bola em Oxford... 

 

Acha pouco?

 

Pois veja só.

 

Que música os alemães, tricampeões mundiais de futebol.

 

Escolheram como hino do seu país?

 

Um tema do menino Haydn.

 

Um Quarteto de Cordas em homenagem ao Kaiser.

 

Um tema triste, e ao mesmo tempo comovente e grandioso.

 

Aliás, até hoje fonte de controvérsia.

 

Mas aí já é uma outra história...

 

Deutschlandd über alles?

 

 

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 06h47
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29/06/2009


II TORNEIO SHERLOCK

 

A briga pelo vice promete.

 

Joaquim já ganhou o título...

 

 

1.

 

Quem é o campeão mundial?

 

2. 

 

Qual o jogão?

 

3.

 

Quais os jogadores deste famoso ataque?

 

4.

 

Quem é o famoso atacante?

 

Resposta: Mestre Zizinho, jogando com a '9' no dia 13 de novembro de 1955 no Maracanã. Brasil 3 x 0 Paraguai, com dois gols do Mestre.

 

5.

 

Quem é o jogador do Sport?

 

6.

 

Quem é o craque?

 

Costurando a rede?

 

 

1. Joaquim Herbenio - 15,5

2. Carlos Henrique - 8,5

3. Lucídio José de Oliveira- 6,0

4. João Rubro Negro - 4,5

5. Carlos Celso Cordeiro - 4,0

6. Felipe Holder e Valdir Appel - 1,0

7. Houldine - 0,5

Escrito por Roberto Vieira às 20h34
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CLASSIFICAÇÃO LOTERIA ESPORTIVA

 

Incrível.

 

O Newton acertou inacreditáveis 11 palpites.

 

E chegou bem perto da liderança.

 

Será que a taça vai para the city that never sleeps?

 

 

1. André Gustavo - 96

2. Newton Pinheiro – 94

3. Clávio Guimarães - 80

4. João Rubro Negro e Carlos Henrique - 74

6. Durval Valença - 72

7. Rafael Alves e Antonio Ricardo - 70

9. Erik  e Geandre - 68

10. Edgar Mattos e Joaquim Herbenio - 66

12. João Carlos – 64

13. Lucídio José de Oliveira – 60

14. Osvaldo Soares- 52

15. Houldine e Marcos Japiassú – 50

17. Guilherme Dias - 48

18. Washington Vaz - 46

19. Sérgio Oliveira – 22

20. Alexandre 74 - 12

21. Marsel Vilaça - 10

22. Carlos Eduardo - 6

23. Sérgio Galvão - 4

24. Alexandre Jorge - 2

 

Escrito por Roberto Vieira às 18h29
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VOA CANARINHO, VOA

             

 

 

                                                      Por ROBERTO VIEIRA

 

 

29 de junho de 1959. Praia de Tambaú. Um menino corre na areia da praia. Aniversário. Ganhou de presente uma bola. Seu pai avisou que vão embora. Pra bem longe dali. Conhecer a Cidade Maravilhosa. O garoto observa um canarinho voando. Rumo ao infinito. O menino sorri e faz duas perguntas ao pai:

“Tem mar? Tem bola?”

1970. Praia de Copacabana. O Juventus vai ganhando mais uma. Os olhos da galera fixos naquele cabeludo. Flutuando na areia. Toques precisos. Gols. De que planeta ele veio? Paraíba? Alguém chega ao ouvido do garoto e fala do Ameriquinha. O único problema era o Moacir Aguiar.  Dispensado. De volta à praia. Tenta a sorte no Botafogo. Mandam escolher entre a bola ou cortar o cabelo. Vai embora. Último vôo: “Flamengo!” O garoto cabeludo chega na Gávea e vai logo ouvindo Modesto Bria falando: “Vai ser jogador ou guitarrista de iê-iê-iê?”. Não precisou responder. Bria já tinha conversado com Seu Napoleão:

“Traga a certidão de nascimento e uma foto 3 x 4”.

15 de dezembro de 1974. Maracanã. A bola descreve um arco sobre o goleiro do América. Vingança? Só se foi da bola. O Flamengo começa a ser campeão carioca. Com um gol daquele cabeludo bom de bola.

“Você quis chutar em gol, Júnior?”

 Rogério olha descrente. Mas daquele moleque tudo era possível. Pois Júnior fizera um gol uma semana antes. Do mesmo lugar. No próprio Rogério.

Julho de 1982. Sarriá. Zico toca. A bola chega entre a zaga. Um leve toque e Fillol já era. “Voa Canarinho, voa!”. As ondas do mar. Resta apenas o barulho das ondas do mar e o antigo canarinho de volta. Pousando na mão do menino e sua bola. Não existe terra além do seu olhar. Apenas uma bola teimando em pousar nas redes catalãs e mexicanas. O canarinho repousa nos sonhos do menino:

“Tem bola? Tem mar?”

Julho de 1992. Maracanã ou a velha Tambaú? O Botafogo era favorito. Botafogo que não gostava de cabelos longos. Black Power. Apenas quando eram usados por Jairzinho. Renato Gaúcho é o novo Jairzinho. Então, Júnior dribla Renato uma, duas, dez vezes em seqüência. Renato senta na grama. Ou será na areia da praia? Piá vai na linha de fundo e cruza. Zinho deixa passar. Junior marca 1 x 0. Depois Nélio e Gaucho decretam o apocalíptico 3 x 0.

O menino observa o canarinho voltando pra casa. Falta na entrada da área. Falta em Zinho. Adivinha quem vai bater? O menino corre pra bola. Toca no ângulo direito. Gol.

E o canarinho sai voando pelo gramado do Maracanã. Livre. Eterno.

 

*Homenagem aos 55 anos do menino Leovegildo Lins da Gama Júnior  

 

Escrito por Roberto Vieira às 15h33
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O NÁUTICO ESTÁ NA ZONA DE REBAIXAMENTO

 

O Globo Esporte, o UOL e a Rede Globo estão errados.

 

Este Blog também.

 

Juca Kfouri está coberto de razão.

 

O Náutico está na zona de rebaixamento.

 

Pelos critérios de desempate.

 

Confronto direto só vale depois de dois jogos.

 

180 minutos.

 

Vide o regulamento abaixo.

 

As seguidas expulsões alvirrubras os carregam para o fundo do poço.

 

Dentro e fora do campo...

 

(Sem falar naquela expulsão injusta do Wagner no Mineirão)

 

 

Art.13 - Em caso de empate em pontos ganhos entre dois oumais clubes ao final da competição, o desempate, para efeito de classificação, será efetuado observando-se os critérios abaixo:

1º) maior número de vitórias;
2º) maior saldo de gols;
3º) maior número de gols pró;
4º) confronto direto;
5°) menor número de cartões vermelhos recebidos;
6°) menor número de cartões amarelos recebidos;
7º) sorteio.

Parágrafo 1° - Para efeito do quarto critério (confronto direto entre dois clubes) considera-se o resultado dos jogos de ida e volta somados, ou seja o resultado do" jogo de 180 minutos".

Parágrafo 2° - Permanecendo o empate no "jogo de 180 minutos" dos confrontos diretos, conforme mencionado no parágrafo 1º, o desempate dar-se-á pelo maior número de gols assinalados no campo do adversário.

Parágrafo 3° - Na aplicação do critério de confronto direto no cado do desempate entre mais de dois clubes, o conjunto dos resultados dos jogos entre esses clubes será aplicado a sequência dos critérios de 1º a 7º do caput desse artigo.

Parágrafo 4° - Específicamente nos casos em que houver empate entre dois clubes nas situações de definição do título de campeão e/ou de definição do decesso, em lugar do 7° critério do caput deste artigo (sorteio), o desempate ocorrerá através da realização de um jogo extra entre os dois clubes, em campo neutro, a ser indicado pela Diretoria de Competições da CBF, e a ser disputado em até sete dias após a 38ª rodada do Campeonato; havendo empate nesse jogo, a decisão ocorrerá através da disputa de penaltis, observados os critérios adotados pela International Board.

Art.14 - Os quatro últimos clubes classificados ao final da competição descenderão para a Série B em 2010 e os quatro primeiros clubes classificados na Série B em 2009 ascenderão à Série A em 2010.

Escrito por Roberto Vieira às 09h19
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1963/2009 NAS HONDURAS DA VIDA

 

 

3 de outubro de 1963.

 

Jango viaja para Brasília no Viscount presidencial.

 

No bolso, o decreto do estado de sítio.

 

Uma tentativa de golpe antes do golpe.

 

Tentativa abortada pelo Congresso.

 

3 de outubro de 1963. Honduras.

 

Um golpe militar derruba o presidente Morales.

 

Assume o poder, o piloto e comandante em chefe Osvaldo Lopez Arellano.

 

Arellano ficará no poder até 1973.

 

Menino educado na Escola Americana de Honduras.

 

Arellano derruba o governo com aviões sobrevoando Tegucigalpa.

 

Tropas do Primeiro Batalhão de Infantaria nas ruas.

 

Os EUA afirmam que fizeram tudo para impedir o golpe. 

 

Mas gostam de falar inglês com o novo presidente.

 

Jango lê as notícias.

 

El Salvador também está em pé de guerra.

 

Oito dias antes, caiu o governo da República Dominicana.

 

Lacerda?

 

Acuado e frágil.

 

Por enquanto.

 

Enquanto isso, João Saldanha afirma: "O doping come solto nos gramados brasileiros".

 

A CBD tenta convencer Santos e Botafogo.

 

A ceder Pelé e Mané para o jogo da FIFA.

 

Mas apenas Djalma Santos irá atuar pela FIFA contra a Inglaterra.

 

Naqueles tempos.

 

O futebol brasileiro tinha coisa mais importante pra fazer.

 

Tipo.

 

Ganhar dinheiro para manter seus craques em casa.

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 07h39
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28/06/2009


29 DE JUNHO DE 1969: DIABO E SALDANHA

        

 

 

Quarenta anos atrás.

 

O Flamengo perdia para o América na estréia do Carioca.

 

A seleção fazia o teste de Cooper no Forte São João.

 

Todos.

 

Menos Pelé.

 

Gravando uma novela em São Paulo...

 

 

          

Escrito por Roberto Vieira às 22h44
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ENQUETE: DUNGA

 

Respondam vocês.

 

Dunga vai repetir o feito de Beckembauer.

 

Campeão mundial como capitão e treinador?

 

Sim ou não?

 

Talvez não vale...

Escrito por Roberto Vieira às 22h25
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28 DE JUNHO DE 1964: O DIA DE SÃO CRISTOVÃO

 

 

                                           Por PLÍNIO FEITOSA

 

Era minha primeira vez no Maracanã. Tinham me levado pra ver o Torneio Início, um festival de curta metragens de futebol, costume antigo, avant premiere dos estaduais. Coincidia de ser véspera de São Pedro, mas no Rio de Janeiro ninguém ligava muito pra isso. Eu era Flamengo desde criancinha. Tinha uma coleção de tampinhas com a cara dos jogadores: Perácio, Domingos, Valido, Biguá. Ouvia pelo rádio os resultados, jogo era difícil pegar. Coisas do interior do Ceará.

 

Pois bem. Sentei no gigante e comecei a ver aquela sequencia interminável de jogos. Com algumas surpresas, as quais eram o melhor aperitivo do Torneio Início. O América eliminou o Vasco por 2 x 1 nos pênaltis. Com a estrela de Pompéia brilhando. O Bangu eliminou o Fluminense. Três penalidades convertidas por Parada. Aquele que ainda ia jogar no Náutico, lembra? Foi quando o Flamengo entrou pra pegar o coitado do São Cristovão. E eu me animei todo. Vestido de vermelho e preto. Pra que? Jair meteu 1 x 0 para o São Cristovão aos 3' de jogo e de nada adiantaram os ataques do Hipólito e do Décio. O São Cristovão estava na final contra o Bangu.

 

Estranhamente, nem liguei. Estava apaixonado pelo São Cristovão. Tanto que na final gritei até ficar rouco, apesar dos olhares desconfiados do pessoal dos outros times. Mas o Sancrista perdeu por 2 x 0. Com um pênalti roubado marcado sobre o Paulo Borges.

 

Dois meses depois, lá estava eu, em pleno Figueira de Melo. No milésimo jogo do Cri-Cri em estaduais. Contra o poderoso Vasco da Gama. Vasco que meteu 2 x 0 e 3 x 1, mas a gente tinha o Válter marcando dois gols. E a gente tinha o Aladim, aquele ponteiro do Bangu e do Corinthians. E do Coritiba também. Pois o jogo terminou  3 x 3. A gente foi o quinto time carioca a completar mil jogos, imagine só! 

 

Lá se vão 45 anos. O São Cristovão vive morre, não morre. Nordestinado, como diria Patativa.

 

Este São Cristovão é o melhor time que vi jogar no Maracanã. Melhor até mesmo que o meu saudoso Icasa Esporte Clube...

 

E home, isso não é pouca coisa não...

 

 

* O time do São Cristovão que Plínio viu jogar era formado por: Drauzio; Ari, Roberto, Elton e Moisés; Válter e Jair; Rubens, Jorge, Aladim e Fraga.

 

Escrito por Roberto Vieira às 22h24
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SPORT 3 X 1 GRÊMIO

 

Água mole em pedra dura.

 

Os titulares do Sport venceram por 3 x 1.

 

No finzinho.

 

Para alegria de quinze mil torcedores.

 

O Sport respira.

 

Chega na décima quinta posição.

 

Na frente do Náutico.

 

Náutico que ainda está fora da zona de rebaixamento.

 

Mas já está atrás do colega pernambucano.

 

Próxima rodada?

 

O Timbu pega o Internacional.

 

O Leão visita o Santos na Vila Belmiro. 

 

Seja o que Deus quiser.

 

Escrito por Roberto Vieira às 20h34
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DICO E DUNGA

    

                               Brasil de Dunga, 1983

 

 

                                                            Por ROBERTO VIEIRA*

 

 

... O Brasil perde a final de 50. Dondinho chora. Dico promete uma Copa ao pai. Sete anos depois começa a Era Dico."

 

 

A Era Dunga começa no dia 5 de julho de 1982 em Barcelona. Mais precisamente no Estádio Sarriá. O público assiste, surpreso, a Itália detonando o Brasil por 3 x 2. O futebol arte brasileiro é derrotado, inapelavelmente. O Brasil todo lamenta aquela derrota para os deuses do futebol. O Brasil todo? Na verdade, nem todo. No Rio Grande do Sul, um rapaz perde o sono depois de assistir a partida na televisão. A imagem de Gentile rasgando a camisa de Zico não sai de sua cabeça:

 

"Como eles deixaram isso acontecer?"

 

Um ano depois, vamos encontrar o Brasil em Guadalajara, no histórico Estádio Jalisco. Estreia do Mundial Sub 20 da FIFA. O Brasil empata com a Holanda por 1 x 1. O rapaz gaúcho corre todo o campo. Marca Van Basten sem perdão. Grita. Comanda a seleção brasileira. A imprensa reclama daquela equipe jogando sem arte:

 

"Preferem ser derrotados jogando bonito?"

 

No jogo seguinte, o Brasil vence a Nigéria e URSS. Nas quartas de final repete o placar de 70 contra os tchecos: 4 x 1. Com um gol dele, Dunga. Na sequencia, o Brasil bate a Coreia do Sul nas semifinais por 2 x 1. No dia 19 de junho, o Brasil é campeão batendo na final a Argentina por 1 x 0. Quase treze anos depois da final de 1970.

 

1970. A final de Dico.

 

Pois o Brasil só foi campeão mundial pelos pés de Dico. Depois de sua despedida, não ganhamos mais nada. Viramos uma equipe comum. Tocando a bola de lado, fazendo malabarismos, perdendo as finais dessa vida. Contra as Argentinas, as Itálias, os Uruguais. Até contra holandeses e poloneses, fregueses de caderno. O Brasil virou uma fera de circo. Bonitinho e inofensivo.

 

Até o início da Era Dunga.

 

Dunga campeão mundial Sub 20 em 1983.

 

Dunga campeão da Copa América de 1989.

 

Quarenta anos depois da última conquista em 1949.

 

Dunga capitão e campeão mundial em 1994.

 

Dunga campeão como técnico.

 

Da Copa América 2007.

 

Da Copa das Confederações 2009.

 

O Brasil da Era Dunga voltou a ser a maior seleção do mundo.

 

Sem tico-tico no fubá.

 

Porque Dunga não é Dico.

 

Mas ganha do mesmo jeito...

 

 

*Cadê a palmatória?

Escrito por Roberto Vieira às 19h21
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QUIZ DA FINAL: EUA

 

Fácil.

 

Estas imagens são famosas no futebol americano.

 

Digo, soccer.

 

Teste sua memória.

 

Que imagens são essas?

 

 

1.

 

 

Quem são os personagens?

 

Qual o jogo da seleção brasileira onde tal encontro aconteceu?

 

 

2.

 

Quem era o dono desta camisa? 

 

 

3.

 

Quando foi usada a camisa desta foto?

 

 

4.

 

E a camisa acima?

 

 

5.

 

E aí, brother?

 

Quando foi utilizada esta camisa famosa?

 

 

6.

 

Esta camisa é famosa.

 

O que ela tem em comum com Cristiano Ronaldo?

 

 

Pois é.

 

O soccer americano tem história.

 

Descubra você também.

 

Mas vamos torcer pra essa história ter acabado contra a Espanha...

 

Escrito por Roberto Vieira às 11h59
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QUIZ DO PONTA

          

 

O Bangu era líder.

 

Saiu na frente.

 

O Fluminense vira a partida.

 

Luís Alberto olha desconsolado para o campo.

 

O ponta tricolor agradece à bola dentro do gol.

 

Fácil:

 

Quem é o ponta?

Escrito por Roberto Vieira às 11h33
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A SINFONIA DO FUTEBOL: O GOLEIRO

Jogavam por música.

 

De ouvido ou por partitura.

 

A bola rolava pelo pentagrama.

 

Colcheias.

 

Semi colcheias.

 

Semínimas chances para os adversários.

 

Por vezes, um futebol allegro.

 

Noutras piano.

 

Quem ouviu não esquece jamais.

 

Tem quem prefira os bondes do tigrão.

 

Fazer o que?

 

 

GOLEIRO: GUSTAV MAHLER      

 

 

No gol, Gustav Mahler.

 

Esquisito, esquelético.

 

Milagroso.

 

Nada menos que a perfeição nos movimentos.

 

Mahler deixou de falar com o restante dos companheiros depois dos primeiros ensaios.

 

Porém seus gritos não deixavam a equipe parar de jogar.

 

A regência da cozinha começava debaixo das traves.

 

Mahler sacrificou sua vida e crenças pela arte.

 

Para muitos, inclusive Zamora, Mahler foi o primeiro goleiro moderno.

 

Na verdade, Gustav foi o último romântico...

 

Coloquei o adagietto...

     

 

 

Escrito por Roberto Vieira às 10h59
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RIVALDO, O GÊNIO DO FUTEBOL

          

 

 

Monstro sagrado.

 

Craque e gênio de bola.

 

17 de junho de 2001 era dia de São Rivaldo.

 

Canonizado em plena Catalunha.

 

O Barcelona precisava vencer.

 

Ou estaria fora da Champions League.

 

O Valência tinha um belo time.

 

Cañizares, Ayala, Killy Gonzalez, Angulo e Baraja. 

 

Mal o jogo começa e Rivaldo abre o marcador. De falta: Barça 1 x 0.

 

Porém aos 26' Baraja empata. De cabeça: 1 x 1.

 

44' e Rivaldo dispara: Barça 2 x 1.

 

O Camp Nou se agita. Profano.

 

Olha Baraja!

 

Baraja empata de cabeça aos 3' do segundo tempo.

 

O jogo prossegue. Nenhum gol.

 

Vai terminar a peleja quando...

 

Aos 44' do segundo tempo Rivaldo marca.

 

De chilena...

 

O resto da história eu deixo com La Vanguardia.

 

 

         

 

 

      

Escrito por Roberto Vieira às 08h32
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QUIZ DO DOMINGO

       

 

Bela homenagem a um craque.

 

Destas que não ocorrem por estas bandas.

 

Ou alguém já viu Bita, Ivan Brondi, Betancour ou Lanzoninho homenageados?

 

Pois bem.

 

Que homenagem é esta?

 

Quais os craques na foto?

 

Resposta: Despedida de Kubala do Barcelona. Do seu lado, Puskas e Di Stefano do Real Madrid.

Escrito por Roberto Vieira às 08h10
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LENDAS DA PAIXÃO

 

 

                                                    Por ROBERTO VIEIRA

 

 

Responda rápido:

 

Na lendária vitória da seleção brasileira de basquete no Panamericano de Indianapólis em 1987.

 

120 x 115 sobre os americanos.

 

O Brasil foi liderado por Oscar e Marcel e os EUA foram comandados por Michael Jordan:

 

( ) Verdadeiro

 

( ) Falso

 

Qualquer que seja a sua resposta.

 

Você já deve ter ouvido a famosa versão:

 

Magic Jordan foi derrotado naquele jogo pelos brasileiros.

 

Pois essa versão ainda rola no google, por exemplo. Pode testar.

 

Faz parte do jogo.

 

Todo grande evento do esporte traz em si a lenda.

 

Como o tapa de Varela em Bigode na final de 1950.

 

Ou a morte do goleiro Lara depois da cobrança de um pênalti por Friedenreich.

 

Lembra o doping alemão contra os húngaros?

 

E a derrota de Michael Jordan contra o Brasil em 1987?

 

Tudo lendas da paixão.

 

A lenda existe para colorir momentos por si só extraordinários.

 

Portanto, caso os EUA derrotem o Brasil em Johanesburgo.

 

Podem ter certeza.

 

Daqui a alguns anos.

 

Vai ter americano jurando de pés juntos:

 

Pelé e Kaká estavam em campo...

 

PS: Em tempo. Quem jogou contra o Brasil em 1987 foi o Almirante Robinson...

 

Escrito por Roberto Vieira às 23h04
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