TÚNEL DO TEMPO - O NÁUTICO X FIGUEIRENSE DO PASSAT DE DEDEU

Pedro Omar e Dedeu Por ROBERTO VIEIRA Setembro de 1975. Três amigos pegam seu Passat e rodam os 3500 Km que separam Recife e Florianópolis. Missão: assistir o glorioso alvirrubro de Rosa e Silva enfrentando o Figueirense pela primeira vez. Antonio Almeida Silva. Português e torcedor do Belenenses. Viajou acompanhado do seu irmão, Waldemar de Almeida. Também português, só que adepto do Benfica. Junto deles, o colega Salatiel Antonio. Os bravos irmãos portugueses não torciam por nenhum time brasileiro. Ao serem apresentados ao Náutico, renderam-se à nova paixão. Tarde fria. O Timbu entrou em campo com o seu uniforme branco de mangas compridas. Beliato não pôde atuar cedendo seu lugar a Djalma Sales. A equipe formou com Neneca: Miguel, Djalma Sales,Sidclei e França; Pedro Omar e Vasconcelos; Baiano (Luís Fernando), Betinho, Jorge Mendonça e Lima (Dedeu). O Figueirense usando mangas curtas e uniforme com listras brancas e pretas. Escalou Nilson; Pinga, Nelson, Almeida e Casagrande; Sergio Lopes e Dito Cola(Luiz Everton); Marcos(Lico), Toninho, Volmir e Moacir. A arbitragem foi de José de Assis Aragão. Logo aos 6’ Toninho invade a área e finaliza sem ângulo para defesa de Neneca. Aos 18’ numa cobrança magistral de falta de Lima, Pedro Omar sobe e cabeceia para um milagre de Nilson. Então o jogo fica restrito ao meio-campo com o gramado pesado marcando os dois times. No retorno para o segundo tempo um lance acirra os ânimos. Aos 2’ Toninho finta Lima e cara a cara com Neneca chuta por cima do arco. Volmir, um ex-jogador do Internacional de Porto Alegre, famoso por sua catimba, agride Vasconcelos na área. Neneca agindo sem pensar mete uma bolacha em Toninho mandando-o a nocaute. Basta comparar a envergadura de Neneca e Toninho pra imaginar o estrago. O pau come solto, porém apenas o goleiro do Náutico é expulso. Orlando Fantoni sacrifica Baiano e põe Luís Fernando na meta. No primeiro lance aos 8’ Lino cobra um escanteio, Toninho ainda grogue antecipa-se a Miguel e cabeceia para o barbante. Figueirense 1x0. Pra quem imaginava o Náutico morto. O alvirrubro se multiplica em campo e encurrala o Figueirense. Com 17’ Pedro Omar domina na entrada da área e fuzila na trave. Aos 26’ é a vez de Jorge Mendonça entrar driblando na defesa do Furacão e novamente acertar a trave. Então Fantoni olha pro banco, beija a medalhinha e grita pra Dedeu entrar no lugar de Lima. São decorridos 37’ do segundo tempo quando Vasconcelos domina a pelota no meio de campo. Está cercado por uma multidão de jogadores de preto e branco. Num átimo de segundo toca a bola com maestria no nada. Atônitos os zagueiros do Figueirense vêem surgir do nada aquele ponteiro rápido saído do banco de reservas. No momento seguinte estão driblados e Dedeu entra cara a cara com Nilson. Quando todos esperam uma bomba, ele coloca devagarinho no cantinho da cidadela inimiga. 1X1. 'Comigo ou sem Migo!' O estádio em silêncio assiste um time coberto de lama comemorando como crianças em campo. Nas arquibancadas, três amigos pulam e se abraçam como se fossem os 300 de Esparta e houvessem vencido uma batalha: a batalha de Florianópolis. Pois se Esparta precisava de 300 guerreiros contra os persas. Para o Náutico bastaram 10 homens em campo e 3 apaixonados nas arquibancadas! A viagem de volta no Passat fica pra outro post...
Escrito por Roberto Vieira às 22h11
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